A Goldman Sachs adotou uma perspectiva mais pessimista em relação ao iene japonês, prevendo que a moeda deverá se desvalorizar ainda mais frente ao dólar americano. O banco de investimentos afirmou que qualquer intervenção do governo japonês para apoiar a moeda terá um efeito apenas temporário.

As novas previsões da Goldman para a taxa de câmbio entre dólar e iene foram elevadas para 162 em três meses, 163 em seis meses e 165 em um ano, em comparação com as projeções anteriores de 160, 158 e 155, respectivamente. Essa revisão ocorre após o iene ter atingido seu nível mais baixo em quatro décadas em relação ao dólar na semana passada, mantendo o Ministério das Finanças do Japão atento ao mercado de câmbio e os investidores em alerta para possíveis intervenções.

Pressões macroeconômicas e intervenções temporárias

De acordo com a Goldman Sachs, o cenário macroeconômico mais amplo, caracterizado por taxas de juros dos EUA elevadas por mais tempo, baixo risco de recessão e preocupações fiscais persistentes, contribui para a pressão contínua de desvalorização sobre o iene. O banco argumenta que intervenções anteriores apenas interromperam temporariamente a queda da moeda, com a taxa USD/JPY retomando a alta em seguida.

“Na verdade, não vemos razão para que a tendência de alta do USD/JPY pare sem um choque negativo inesperado no crescimento dos EUA ou uma mudança de política mais agressiva por parte do Banco do Japão”, afirmou a Goldman. O banco também observou que os planos de estímulo fiscal do Japão poderiam elevar os prêmios de taxa de juros dos títulos domésticos em relação aos Treasuries dos EUA, uma dinâmica que historicamente coincide com ganhos adicionais no USD/JPY.

Expectativa de fortalecimento do dólar e desempenho de outras moedas

A perspectiva revisada para o iene surge em um contexto em que a Goldman Sachs espera que o dólar permaneça forte. O banco atribui essa expectativa a dois fatores que sustentaram a moeda americana neste ano: o boom de investimentos em inteligência artificial nos EUA e as interrupções na oferta de energia, que devem continuar a apoiar o dólar contra moedas de menor rendimento.

A Goldman Sachs também revisou para baixo suas previsões para o euro, projetando que a taxa EUR/USD será de 1,14 em três meses, caindo para 1,12 em seis meses e mantendo-se nesse nível ao longo de um período de 12 meses. Em contrapartida, o banco se mostrou otimista em relação a várias moedas de mercados emergentes com maior rendimento, como a rupia indiana, devido a uma melhora no crescimento e na inflação, além de expectativas de influxos de capital após medidas do Banco da Reserva da Índia. A Goldman também se mostrou mais otimista em relação ao peso colombiano, após uma postura mais agressiva do banco central e expectativas de consolidação fiscal.

Refletindo essa divergência nas expectativas, a Goldman Sachs continua a favorecer o uso do iene como fonte de financiamento para investimentos em mercados emergentes de maior rendimento, reforçando a visão de que os investidores continuarão a tomar empréstimos em moedas de baixo rendimento para financiar suas posições em mercados de maior retorno.