O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, alertou nesta quarta-feira (8) sobre o risco de formação de milícias no interior do estado, atribuindo essa possibilidade à diminuição da presença do poder público na segurança. A declaração foi feita durante uma entrevista no 'Canal do Barão', no YouTube, onde Haddad criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Críticas à gestão de segurança pública

Haddad afirmou que a falta de segurança está permitindo o surgimento de empresas que oferecem serviços de segurança privada, o que, segundo ele, pode levar a um cenário de milícias semelhantes ao que ocorre no Rio de Janeiro. "Estamos inadvertidamente começando a criar milícias no interior de São Paulo, que são empresas que estão vendendo serviços de segurança, porque o Estado não está fazendo a segurança, trazendo um risco enorme para o começo de operações milicianas", disse.

A avaliação do ex-ministro é fundamentada na redução dos investimentos estaduais e nas dificuldades fiscais enfrentadas por São Paulo. Ele mencionou que, apesar da venda da Sabesp, o estado ainda enfrenta problemas financeiros. Haddad também destacou que o aumento dos custos de transporte de mercadorias é uma consequência da insegurança e reforçou a necessidade de uma maior atuação do Estado na área.

Dados sobre segurança e pesquisas eleitorais

A declaração de Haddad ocorre no mesmo dia em que a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) prendeu nove pessoas e cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a um grupo que furtava e roubava cargas de carne bovina em São Paulo e Paraná. Os investigadores relataram que os produtos eram desviados durante o transporte e posteriormente transferidos para locais específicos.

Uma pesquisa Datafolha divulgada no último domingo (5) aponta que Tarcísio de Freitas lidera as intenções de voto com 46%, enquanto Fernando Haddad ocupa a segunda posição com 30%. Haddad também se manifestou sobre o aumento da letalidade policial e criticou a condução da Secretaria de Segurança Pública, ressaltando que a nomeação de pessoas próximas a cargos de comando enfraqueceu a estrutura das polícias.

O pré-candidato defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e destacou que, se eleito, apoiará a integração entre as forças estaduais e federais. Ele mencionou a importância de trazer a segurança pública para o centro das discussões do governo, ao lado da educação.

Haddad também se mostrou aberto a alianças com partidos de esquerda menores, destacando que ainda é cedo para avaliar as plataformas dos demais pré-candidatos, mas que está disposto a dialogar.