Um incêndio devastador em um orfanato localizado em Mohammadia, um subúrbio oriental de Argel, resultou na morte de 11 pessoas na manhã de quinta-feira, 3 de agosto, de acordo com informações da polícia argelina. O fogo foi provocado por uma faísca elétrica de um ar-condicionado defeituoso que estava em funcionamento contínuo, conforme relatado por investigadores forenses.

A tragédia ocorreu durante uma intensa onda de calor que atinge o país, levando a um esforço de combate às chamas que durou pelo menos três horas. O serviço de emergência e a unidade de defesa civil foram mobilizados para controlar a situação, mas não conseguiram evitar as fatalidades.

Vítimas e Reações

Embora a idade das vítimas não tenha sido especificada, o presidente argelino, Abdelmajid Tebboune, confirmou em uma publicação nas redes sociais que crianças estavam entre os mortos. Além das 11 vítimas fatais, 19 pessoas ficaram feridas, algumas delas com queimaduras, inalação de fumaça e choque. Um dos cuidadores do orfanato também estava entre os mortos, conforme informações da agência de notícias AFP, que citou um relatório policial.

O Primeiro-Ministro, Sifi Ghrieb, visitou os sobreviventes em dois hospitais onde estão sendo tratados. O presidente Tebboune expressou suas condolências, afirmando: “É com um coração resignado à vontade de Deus que soube da morte de crianças e do ferimento de outras.”

Demandas por Justiça e Segurança

A tragédia gerou uma onda de indignação e pedidos de respostas sobre possíveis negligências relacionadas à segurança no orfanato. O partido de oposição Jil Jadid exigiu uma investigação transparente e responsabilização legal por qualquer falha de segurança que possa ter contribuído para o incêndio. Além disso, o partido pediu uma revisão nacional das normas de segurança contra incêndios em orfanatos, lares de acolhimento, hospitais e escolas.

O jornalista Akram Kharief descreveu o incêndio como uma “tragédia nacional” e pediu auditorias de segurança contra incêndios em todas as instituições públicas. Comentários nas redes sociais questionaram a supervisão das crianças durante a noite e alguns usuários pediram por demissões de autoridades locais.

O site Le Matin d'Algérie, conhecido por suas críticas ao governo, destacou a ausência do prefeito e do governador provincial durante a operação de resgate inicial. Por outro lado, o portal pró-governo Algerie Patriotique afirmou que o país deve buscar a verdade “sem complacência” e investigar se as mortes poderiam ter sido evitadas.