O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) emitiu um alerta para que navios comerciais utilizem apenas as rotas através do Estreito de Ormuz que são autorizadas por Teerã. Essa advertência surge em meio a um momento delicado nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã sobre o futuro da importante via navegável.

A advertência do IRGC seguiu-se ao anúncio de Omã, que na quarta-feira revelou uma nova rota de navegação através do estreito, afirmando que a mesma foi coordenada com a Organização Marítima Internacional (IMO). O tráfego marítimo na região começa a se normalizar após semanas de interrupções.

Disputa em meio a negociações

A controvérsia sobre as rotas de navegação permanece como uma das questões não resolvidas após a assinatura de um memorando de entendimento (MoU) entre EUA e Irã na semana passada, que teve como objetivo reduzir as hostilidades e dar início a um processo de negociação de 60 dias visando um acordo de paz mais amplo.

Embora tanto Washington quanto Teerã tenham declarado o estreito aberto para navegação comercial, ainda existem incertezas sobre a possibilidade de o Irã querer aumentar o controle sobre o movimento dos navios e a possibilidade de cobrança de taxas de trânsito após o período de negociações.

A importância do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável por cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito. Localizado entre o Irã ao norte e Omã e os Emirados Árabes Unidos ao sul, o estreito possui apenas 50 km de largura em sua entrada e saída, mas é profundo o suficiente para acomodar os maiores petroleiros do mundo.

Reação do Irã à nova rota de Omã

O IRGC criticou a decisão de Omã e da IMO, alegando que a nova rota foi anunciada sem coordenação com o Irã, e que a única rota autorizada é aquela designada pelo governo iraniano. A situação se complica, pois um petroleiro liberiano utilizou a nova rota, que se aproxima mais da costa de Omã.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, defendeu a nova rota, afirmando que ela visa restaurar a navegação segura e que não haverá taxas de trânsito impostas.