A agricultora Júlia Pereira de Andrade expressa a mudança radical em sua vida: "Eu ajoelhei e pedi muito a Deus para que me desse água". Sua história ilustra a transformação no Vão do Paranã, uma região historicamente conhecida como 'corredor da miséria' devido aos altos índices de pobreza e à falta de água.

Após dois anos sem água em sua propriedade, a perfuração de um poço artesiano possibilitou o cultivo de maracujá e manga, garantindo renda à família. Hoje, a área é irrigada e produtiva, fruto de um projeto que envolve a Embrapa e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que já beneficiou 80 produtores com um investimento de R$ 23 milhões.

Fruticultura e Sustentabilidade

O programa visa atender 250 famílias e irrigar 500 hectares, aproveitando a geografia favorável do Vão do Paranã, que permite o acúmulo de água subterrânea. O pesquisador da Embrapa, José Carlos Sousa, destaca que a irrigação proporciona uma fonte de renda contínua aos agricultores.

Antes da fruticultura irrigada, Júlia e sua família dependiam de pequenas roças para subsistência. Hoje, com a produção de maracujá e manga, eles colhem resultados financeiros significativos, como os R$ 15 mil obtidos em dois meses com a venda das frutas.

Desafios e Oportunidades

Apesar do sucesso, os agricultores enfrentam desafios na comercialização. A falta de compradores fixos e a dependência de atravessadores ainda geram incertezas. Para contornar isso, uma cooperativa está sendo formada, e um projeto de agroindústria está em andamento.

Com o olhar no futuro, o projeto de irrigação já desperta interesse em outras regiões do Brasil, prevendo a replicação do modelo em estados como Bahia e Minas Gerais. O Vão do Paranã, uma região que já foi sinônimo de miséria, agora se projeta como um exemplo de superação e desenvolvimento econômico.