Em meio à crescente demanda por trabalhadores estrangeiros, o Japão enfrenta uma crise de percepção pública que afeta a integração desses profissionais. Srijana Sunar, uma nepalesa de 29 anos que vive no Japão desde 2018, expressou sua indignação ao comentar sobre o novo aumento das taxas de extensão de visto, que saltaram de 10.000 ienes para 100.000 ienes.
“Fiquei chocada. É um valor muito alto para estender meu visto a cada três anos”, disse Srijana, que ganha 145.000 ienes mensais. Seu marido, Spandan Sunar, que trabalha no Japão desde 2016, também comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores estrangeiros. “Não somos recém-chegados. Temos visto adequado, seguimos as regras e pagamos impostos, mas nossa liberdade de escolher empregos é muito limitada”, afirmou.
Desafios de imigração e decline demográfico
Com a população japonesa em declínio, que registrou uma redução de 941.000 pessoas entre 2024 e 2025, o número de estrangeiros no Japão aumentou para cerca de 4,125 milhões. Especialistas, como Toshihiro Menju, enfatizam a importância desses trabalhadores para a funcionalidade da sociedade japonesa.
Políticas de imigração mais rigorosas
Recentemente, o governo japonês introduziu medidas mais rígidas para a imigração, incluindo a duplicação do tempo necessário para a naturalização e exigências de proficiência em japonês. No entanto, essa mudança gerou descontentamento entre trabalhadores estrangeiros, como Yanika Roongpairoj, que teme que essas políticas afetem seus planos a longo prazo no país.
Sentimento negativo em relação aos estrangeiros
Uma pesquisa realizada pela Nikkei revelou que 37% dos entrevistados acreditam que o aumento de estrangeiros no Japão não é positivo. Essa percepção tem alimentado o crescimento de partidos de direita, como o Sanseito, que promove uma agenda nacionalista com o slogan “Japoneses em primeiro lugar”.
No entanto, Spandan Sunar defende que, apesar das dificuldades, o Japão deve criar um ambiente que incentive a permanência e a contribuição de trabalhadores estrangeiros. “Seria uma perda para o Japão se novas políticas forçassem a saída desses profissionais”, concluiu.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.