Legisladores dos Estados Unidos estão analisando como conter a crescente adoção de modelos de inteligência artificial (IA) chineses por empresas locais, em um cenário de tensões geopolíticas em torno da implementação dessa tecnologia. A IA se tornou um ponto central de rivalidade entre os EUA e a China, com ambos os países competindo pela liderança no setor.

Modelos chineses estão se tornando populares entre empresas americanas, uma vez que estão reduzindo a diferença de desempenho em relação aos concorrentes dos EUA, além de serem mais econômicos. Em abril, a administração Trump acusou entidades chinesas de realizarem "campanhas em escala industrial" para roubar sistemas de IA dos EUA e afirmou que exploraria maneiras de responsabilizar atores estrangeiros. A China, por sua vez, estaria considerando restringir o acesso ao seu modelo de IA mais avançado, segundo a Reuters.

Investigação das Comissões da Câmara

A adoção crescente de modelos de IA desenvolvidos na China levou a um aumento nas solicitações de legisladores americanos por estratégias para enfrentar essa tendência, incluindo uma investigação em andamento de duas Comissões da Câmara dos Representantes dos EUA. Os presidentes dessas comissões enviaram cartas para empresas como Cursor e Airbnb, questionando sobre seu "uso ou exposição a esses riscos" relacionados à IA desenvolvida na China.

Andrew Garbarino, presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara, expressou preocupação ao dizer que "o Partido Comunista Chinês não está mais apenas colhendo os frutos da nossa tecnologia; está correndo para fechar a lacuna em algumas das capacidades que moldarão o futuro da cibersegurança". Ele destacou que relatos recentes indicam que um modelo de código aberto chinês pode igualar modelos americanos em tarefas de descoberta de vulnerabilidades e cibersegurança.

Reação das empresas e propostas de ação

Embora alguns departamentos do governo tenham proibido o uso de modelos de IA chineses, como o DeepSeek, a adoção por empresas americanas não é ilegal. Executivos do setor, como Brian Armstrong, da Coinbase, e Flo Crivello, da Lindy, têm defendido publicamente o uso de modelos chineses como forma de reduzir custos. A Cursor, que será adquirida pela SpaceX de Elon Musk por US$ 60 bilhões, desenvolveu seu modelo Composer 2 utilizando o modelo chinês Kimi, da Moonshot AI, mas não comentou sobre a investigação quando contatada.

A Airbnb afirmou que a maior parte de suas atividades de IA é realizada com modelos de origem americana, mas reconheceu o uso de um número limitado de modelos de origem chinesa, todos de código aberto e operando apenas por meio de provedores de serviços baseados nos EUA, garantindo a separação e proteção dos dados.

A investigação conjunta das Comissões da Câmara também está avaliando se os EUA estão fazendo o suficiente para lidar com a ascensão desses modelos. Um assessor da Comissão, que pediu para não ser identificado, afirmou que as comissões estão examinando se os EUA possuem uma estratégia de IA de código aberto suficiente para garantir que as empresas americanas não sejam forçadas a escolher entre modelos caros ou restritos e alternativas chinesas acessíveis e competentes.