Mais de um milhão de migrantes apresentaram pedidos de regularização na Espanha, quase o dobro do que o governo esperava. A nova iniciativa, que teve início em abril e se encerrou em 30 de junho, expõe a situação de vulnerabilidade de muitos que vivem no país sem documentação.

Badr Tmairi, um marroquino de 22 anos, viveu seis anos na Espanha sem status legal. Ele chegou ao país com 16 anos e perdeu sua residência legal ao não renová-la a tempo. "O que quero é recuperar meus documentos para poder trabalhar como cabeleireiro e visitar minha família em Marrocos", afirmou.

Contexto da regularização

O movimento por regularização é liderado pelo coletivo Regularizacion Ya, que desde 2020 defende os direitos dos migrantes. Edith Espinola, presidente da Associação de Serviço de Trabalhadores Domésticos Ativos (SEDOAC), destacou que a quantidade de pedidos é uma prova do fracasso do Estado em proteger os mais vulneráveis.

O governo espanhol, que aguardava cerca de 500 mil pedidos, recebeu 1.174.978 solicitações. Até o momento, apenas 11 mil foram aprovadas, enquanto cerca de 608 mil estão sendo processadas, concedendo residência provisória e permissões de trabalho.

Impacto econômico e social

Rocio Neciosupe, uma peruana de 54 anos, também se manifestou sobre a importância da regularização. Ela afirmou: "Não quero um favor; quero trabalhar sem medo e com direitos". A migrante, que atua como faxineira, está se recuperando de uma lesão nas costas e, sem documentos, não tem direito a licença médica.

O Primeiro-Ministro Pedro Sanchez argumentou que a regularização é essencial para o crescimento econômico da Espanha, afirmando que, até 2050, a falta de mão de obra poderia reduzir o PIB do país em 19%, resultando no fechamento de milhares de negócios e escolas.

O setor de cuidados é um dos mais afetados pela escassez de trabalhadores. Josselyn Aguirre, uma assistente de enfermagem de 32 anos, que imigrou do Equador, ressaltou a importância de regularizar o status dos migrantes para suprir a demanda nesse setor.

Com a regularização, 159.097 pessoas se registraram no sistema de Segurança Social, ampliando a força de trabalho no país. Espinola enfatizou que a comunidade migrante tem demonstrado resiliência e solidariedade, e que a luta pela regularização ainda não terminou.