O início de julho de 2023 já é marcado por duas ondas de calor recordes no Reino Unido e na Europa, que evidenciam as mudanças climáticas que afetam a região. Em junho, temperaturas se elevaram a níveis extraordinários, conforme relatado pela agência meteorológica da ONU.
Após um breve período de alívio, uma nova onda de calor se aproxima. A intensidade desses eventos é um reflexo direto do aquecimento global, causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis que liberam gases de efeito estufa na atmosfera. "As mudanças climáticas induzidas pelo homem tornaram eventos como este mais prováveis e intensos", afirmou o professor Stephen Belcher, cientista-chefe do Met Office do Reino Unido.
Recordes de temperatura em junho
A gravidade das ondas de calor é visível nas temperaturas médias de maio e junho no Reino Unido, que foram significativamente superiores ao normal. Em Lingwood, Norfolk, o termômetro alcançou 37,7°C, superando o recorde anterior de junho de 35,6°C, estabelecido em 1957 e igualado em 1976. "Ver temperaturas assim no Reino Unido em junho é preocupante", comentou Belcher.
Embora nem todas as estações meteorológicas tenham dados tão antigos quanto o famoso verão de 1976, algumas das mais antigas registraram quebras de recorde superiores a 2°C. O professor Ed Hawkins, da Universidade de Reading, destacou que "normalmente esperamos que os recordes sejam quebrados por pequenas margens – décimos, talvez até um grau ou mais. Portanto, ter uma quebra tão significativa é notável e extraordinário, especialmente após um evento semelhante em maio."
Aumento da umidade e noites tropicais
A onda de calor de junho foi particularmente opressiva devido à combinação de altas temperaturas e umidade elevada, dificultando a regulação da temperatura corporal por meio do suor. Em Cardiff, as temperaturas não caíram abaixo de 23,5°C na noite de 24 para 25 de junho, marcando a noite de junho mais quente já registrada no Reino Unido. A maioria das regiões da Inglaterra e do País de Gales experimentou pelo menos uma noite tropical em junho, fenômenos que historicamente têm sido raros no país.
"Esperamos definitivamente ver mais noites tropicais à medida que as temperaturas globais continuam a subir", afirmou Hawkins. A mesma onda de calor que afetou o Reino Unido também provocou recordes em diversos países da Europa. O serviço meteorológico da Alemanha, Deutscher Wetterdienst, a classificou como "uma onda de calor para os livros de história", enquanto a Météo-France, da França, a descreveu como "excepcional" e "histórica".
Mais de uma dúzia de países ao longo da Europa Ocidental, Central e Oriental quebraram seus recordes de temperatura de junho, com diferenças de até 3°C entre os antigos e os novos máximos. Países como França e Espanha registraram os dias mais quentes de junho em termos de média nacional, mesmo que temperaturas mais altas já tenham sido observadas em estações individuais.
A rápida elevação das temperaturas na Europa é atribuída ao derretimento de neve e gelo, além da redução de partículas poluentes no ar, que diminuem a reflexão da energia solar de volta ao espaço. Isso resulta em mais energia aquecendo a superfície da Terra. Embora a mudança climática tenha amplificado as ondas de calor, os cientistas alertam que, à medida que as temperaturas médias aumentarem, as ondas de calor futuras poderão alcançar níveis ainda mais altos.
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