A proposta do governo do Reino Unido de implementar um toque de recolher nas redes sociais para jovens de 16 e 17 anos gerou alívio e frustração entre os pais. As medidas, que incluem o bloqueio de aplicativos como Instagram, TikTok e YouTube durante a noite, visam melhorar a concentração, a qualidade do sono e a vida familiar dos adolescentes. Os jovens poderão optar por sair do toque de recolher, mas as funcionalidades consideradas viciantes, como vídeos em reprodução automática e rolagem infinita, também serão desativadas.

Estratégias para reduzir o uso de telas

Para ajudar os pais a lidar com a questão do tempo de tela, especialistas em educação infantil oferecem recomendações práticas. A psicóloga infantil Dr. Jane Gilmour sugere que, ao invés de eliminar os dispositivos, os pais devem começar com pequenas mudanças. "Mudar um hábito é sempre difícil", afirma, recomendando que as alterações sejam feitas em momentos neutros, longe de discussões sobre o uso de telas. Uma boa primeira etapa pode ser designar um local específico na casa para guardar os dispositivos, como um armário dedicado.

A psicóloga Dr. Maryhan Baker enfatiza a importância de envolver os adolescentes na conversa sobre o uso de telas, ao invés de impor regras. Reconhecer a pressão social que os jovens sentem em relação às redes sociais pode ajudar a estabelecê-los como aliados. "Vamos conversar sobre como podemos criar espaço no nosso dia em que você não esteja sempre no telefone", sugere.

Transformando o uso de telas em aprendizado

A interação entre pais e filhos pode ser uma oportunidade para aprendizado mútuo. Olivia Edwards, coach de parentalidade, recomenda que os pais façam perguntas sobre como as redes sociais funcionam e como as empresas lucram com o tempo que os usuários passam nelas. "Você pode perguntar: 'Como você acha que esse aplicativo mantém as pessoas engajadas?'", sugere.

Os pais também podem ensinar sobre literacia digital de maneira prática. Dr. Jane Gilmour propõe que os adultos analisem juntos conteúdos online e discutam sua veracidade, estimulando o pensamento crítico.

Modelo de comportamento e aceitação da monotonia

As crianças tendem a imitar os comportamentos dos pais, por isso, é crucial que os adultos reflitam sobre suas próprias práticas de uso de telas. Dr. Maryhan recomenda que os pais abordem o tema de forma leve, reconhecendo que todos podem melhorar a relação com seus dispositivos. Além disso, Jane Gilmour sugere que tanto adultos quanto crianças se beneficiem de momentos de tédio, que podem estimular a criatividade e a reflexão.

Não entre em pânico

O professor Dr. Tony Sampson, especialista em comunicação digital, alerta os pais para não caírem em um pânico moral em relação ao uso de redes sociais. Ele ressalta que a neuroplasticidade das crianças permite que seus cérebros se adaptem e se recuperem melhor do que os adultos. "As redes sociais não diminuem a atenção, mas a redirecionam para o engajamento com conteúdos comerciais", explica. Ele defende que o uso positivo da tecnologia pode estimular a criatividade e o aprendizado.