No final de maio, Neil Rimer, co-fundador da Index Ventures, expressou sua convicção de que ocorrerá uma redistribuição de riqueza relacionada à inteligência artificial (IA) durante um festival de tecnologia em Atenas. Ele afirmou que essa redistribuição será "voluntária ou involuntária, mas acontecerá, e espero que seja voluntária". Rimer acredita que os líderes do setor tecnológico têm um papel a desempenhar nesse processo.

Rimer, que se afastou do investimento diário em 2021 e hoje passa a maior parte do tempo em Atenas, destacou a importância de iniciativas filantrópicas em meio a um cenário onde a doação entre os mais ricos tem diminuído. Embora a Index Ventures tenha registrado retornos excepcionais, levantando cerca de US$ 15 bilhões desde sua fundação, o contexto atual de doações é preocupante.

Desafios à filantropia contemporânea

O Giving Pledge, iniciativa lançada por Warren Buffett e Bill Gates em 2010, que incentivava bilionários a comprometer metade de suas fortunas à caridade, está se tornando cada vez mais irrelevante. De acordo com um relatório do New York Times, apenas quatro famílias assinaram o compromisso em 2024, marcando uma queda acentuada no número de signatários desde o início da década.

Além disso, a doação total nos Estados Unidos alcançou um recorde de US$ 592,5 bilhões em 2024, mas o número de doadores caiu 4,5% apenas neste ano, segundo a Stanford Social Innovation Review. Enquanto dois terços das famílias contribuíam em 2000, agora esse número gira em torno de metade.

Movimentos legislativos e concentração de riqueza

A ausência de doações voluntárias está levando a propostas legislativas, como um imposto sobre a riqueza de 5% que será votado na Califórnia, visando os bilionários do estado. Alguns, incluindo os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, já mudaram suas residências para evitar possíveis consequências.

Com a OpenAI considerando uma oferta pública em 2027, a possibilidade de um imposto sobre a riqueza que considera ativos globais levanta questões sobre a concentração de riqueza. Atualmente, a participação do 1% mais rico nos Estados Unidos atingiu 31,7%, um recorde desde que os dados começaram a ser coletados em 1989.

A história mostra que, em momentos de grande concentração de riqueza, surgem pressões tanto para a filantropia quanto para a redistribuição forçada. Rimer menciona a obra de Andrew Carnegie, que em 1889 defendeu que a riqueza deveria ser usada para o bem público. Por outro lado, programas como o Share Our Wealth, proposto pelo senador Huey Long na década de 1930, exigiam impostos elevados sobre os ricos.

Essas discussões refletem preocupações contemporâneas sobre a moralidade e o papel das empresas de tecnologia na sociedade. Rimer observa que os valores que moldaram a tecnologia no passado agora estão em debate, especialmente entre as novas gerações.