Quando Sarah Reeve ficou noiva, fez um ultimato ao seu então noivo, Lee: ele precisava quitar sua dívida antes que se casassem. Essa decisão surgiu em meio à situação financeira distinta que ambos enfrentavam quando se conheceram na faixa dos 20 anos.

"Eu pagava minha hipoteca e contas, enquanto ele ajudava a mãe com o aluguel", relata Sarah, que agora tem 45 anos. "Eu deixei claro que não casaria com ele se tivesse dívidas." Com isso, eles definiram uma data para o casamento em dois anos, período que Lee utilizou para quitar um empréstimo bancário de £2.000, equivalente a £4.000 nos dias de hoje, que havia contraído para a compra de um carro.

Uma vez que Lee limpou suas dívidas, o casal uniu suas finanças em uma conta conjunta, e Sarah assumiu a responsabilidade pelas contas, economias e orçamentos. "Ele disse: 'Você pode resolver tudo e ficar com o controle do dinheiro porque eu sou péssimo com isso.'" Essa dinâmica familiar reflete uma tendência observada no relatório Women and Wealth, da St James's Place, que aponta que mais de 80% das mulheres estão ativamente envolvidas na gestão das finanças diárias.

Sarah, que trabalha meio período em uma seguradora e recebe £24.000 por ano, e Lee, que trabalhou por 27 anos em manutenção e atualmente se dedica ao trabalho autônomo em manutenção de imóveis com um rendimento de cerca de £30.000, sempre encararam o dinheiro como algo compartilhado. "É muito mais nosso dinheiro do que meu ou seu, o que é muito bom, especialmente porque eu tirei quatro anos de trabalho quando tivemos filhos", comenta Sarah.

Desafios na gestão financeira

Após se livrar das dívidas, Sarah destaca que o casal nunca se endividou além do que poderia suportar e sempre fez pagamentos extras na hipoteca. "Sempre fomos poupadores - bem, eu fui a poupadora para nós", acrescenta. Mensalmente, ela anota o saldo das contas, uma prática que considera útil, especialmente quando o mês é difícil, pois permite identificar os motivos.

Buscando orientação financeira

Entretanto, assumir o controle financeiro não foi uma tarefa fácil. Sarah gostaria que Lee se envolvesse mais, pois afirma que sente que a responsabilidade é exclusivamente sua. Lee, que não é orientado a dinheiro, não se preocupa com as decisões financeiras. "Ele diz: 'Eu te conheci sem nada, então não me importo se não tiver nada.'" Essa mentalidade, embora relaxada, faz com que Sarah sinta a pressão de planejar o futuro do casal.

Após sua mãe, que ficou viúva, consultar um assessor financeiro, Sarah decidiu buscar orientação também. "Eu pensava que não tinha dinheiro suficiente para isso, achando que precisava de meio milhão para consultar um assessor." O profissional a ajudou a entender seus gastos, sua atitude em relação ao risco e as despesas futuras, o que fez com que ela se sentisse mais segura e mudasse a perspectiva de economias diárias para planejamento a longo prazo.

Sarah acredita que suas filhas, de 19 e 21 anos, absorveram sua atitude em relação ao dinheiro. Sua filha mais velha economizou enquanto trabalhava em meio período e comprou sua primeira casa. Sarah conversou com ela sobre a importância de pagar a hipoteca adiantado e de se proteger financeiramente agora que o namorado se mudou com ela. "Nós influenciamos elas", conclui Sarah. "Minhas filhas provavelmente acabarão sendo mais controladoras de suas finanças."

Refletindo sobre sua trajetória, Sarah ressalta que a maior lição é não ignorar as dívidas ou assumir que os hábitos financeiros se resolverão sozinhos. "Você precisa pensar em um objetivo, o que deseja e como vai chegar lá."