A Noruega, que será o próximo adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026, é um exemplo notável de como um país pode prosperar economicamente ao mesmo tempo em que lidera a transição para a energia limpa. A nação escandinava, reconhecida por seus avanços em energias renováveis, ainda depende fortemente do petróleo e do gás como fontes de riqueza.

Esse paradoxo norueguês levanta questões importantes sobre como equilibrar a segurança energética, o crescimento econômico e as metas climáticas em um mundo que busca reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A Noruega é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e ocupa uma posição estratégica no mercado internacional de gás natural, conforme dados da Agência Internacional de Energia (IEA).

Petróleo como parte da estratégia energética

Embora a Noruega esteja na vanguarda da energia limpa, o petróleo e o gás continuam sendo fundamentais para sua economia. Em 2025, o país deverá ser o maior fornecedor de gás natural da União Europeia, com cerca de 31% das importações do bloco, segundo a Comissão Europeia. Em 2023, Noruega e União Europeia firmaram uma Aliança Verde para fortalecer a cooperação em energia limpa e proteção ambiental.

O governo norueguês defende que a continuidade da produção de petróleo e gás é compatível com suas metas climáticas. De acordo com o Ministério da Energia, essa produção não apenas gera receita significativa, mas também pode ajudar a reduzir as emissões de outros países ao substituir usinas movidas a carvão por usinas a gás, melhorando a qualidade do ar.

Financiando a transição energética

Uma das principais ferramentas que a Noruega criou para administrar sua riqueza do petróleo é o Government Pension Fund Global (GPFG), um fundo soberano que investe essa renda em ativos financeiros para as próximas gerações. No final de 2025, o fundo deverá administrar cerca de 21,3 trilhões de coroas norueguesas (aproximadamente R$ 11,2 trilhões), o que equivale a cerca de R$ 2 milhões por habitante.

A Noruega também se destaca pela sua matriz elétrica, que é composta em 89% por hidrelétricas, facilitando a eletrificação de diversos setores. A nação lidera a adoção de veículos elétricos, com metas para que todas as vendas de carros novos sejam de modelos sem emissões. Incentivos tributários e a expansão da infraestrutura de recarga têm sido fundamentais para essa transformação.

Desde 2021, a utilização de petróleo no transporte rodoviário caiu cerca de 12%, refletindo a mudança para veículos elétricos. Além disso, a legislação norueguesa impõe metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e permite que municípios criem zonas de emissão zero.

A indústria petrolífera também tem implementado iniciativas para reduzir suas emissões, como o projeto Hywind Tampen, que é considerado o maior parque eólico flutuante do mundo e fornece eletricidade renovável para plataformas de petróleo e gás no Mar do Norte.