Novo estudo indica por que a Antártica congelou milhões de anos antes do Ártico Adobe Stock A Antártica Oriental abriga o maior manto de gelo da Terra, com água suficiente para elevar o nível global do mar em 52 metros caso derretesse totalmente. Mas há décadas que os cientistas se perguntam como e por que esse manto de gelo se formou. Na verdade, são dois mistérios interligados.

Primeiro, a Antártica foi coberta de gelo há cerca de 34 milhões de anos — um período conhecido como transição do Eoceno para o Oligoceno —, enquanto a região do Ártico permaneceu praticamente livre de gelo por aproximadamente mais 25 milhões de anos. Então, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera estavam caindo drasticamente e desempenharam um papel importante na queda das temperaturas. Se esse fosse o único fator por trás da transição, no entanto, ambos os polos deveriam ter se resfriado ao mesmo tempo.

Mas isso não aconteceu. Isso significa que provavelmente houve outro fator dando uma partida inicial ao congelamento da Antártica. Agora no g1 O segundo mistério é que as temperaturas da superfície do mar no Oceano Antártico permaneceram inesperadamente altas por cerca de 10 milhões de anos após a formação do manto de gelo da Antártida Oriental.

Isso não é o que esperaríamos ver se este manto de gelo tivesse se formado exclusivamente em resposta ao resfriamento global. Nesse caso, os oceanos ao redor também deveriam ter esfriado consideravelmente. Meu novo estudo, realizado em parceria com colegas do Reino Unido e da Alemanha e publicado na revista Science, aponta para uma resposta enterrada nas profundezas do manto de gelo: as montanhas da Antártica e as forças geológicas de ação lenta que as formaram.

Um continente em movimento Essa história começa há cerca de 170 milhões de anos, quando a Antártica e a África estavam unidas pela última vez como parte do supercontinente de Gondwana. Sua separação colocou a Antártica em uma trajetória rumo ao Polo Sul – e essa ruptura maciça também desencadeou uma cadeia de eventos bem abaixo da superfície. Quando os continentes se separam, o material quente do manto terrestre sobe por baixo deles, esfria e, em seguida, afunda.

Esse movimento giratório desestabiliza a base do continente vizinho, desencadeando uma série de instabilidades semelhantes às de uma lâmpada de lava que removem pedaços de suas raízes profundas, um por um. Essas perturbações, chamadas de “ondas do manto”, varrem a região abaixo dos continentes ao longo de milhões de anos, percorrendo mais de 1.000 quilômetros à medida que se propagam pela rocha quente e viscosa sob a massa continental. Minha equipe de pesquisa descobriu esse fenômeno há vários anos.

Em dois artigos publicados na revista científica Nature, reunimos várias linhas de evidência independentes que apontavam todas para a mesma conclusão: as ondas do manto podem desencadear erupções vulcânicas carregando diamantes – explosões violentas que lançam magma das profundezas dos continentes, a mais de 150 quilômetros abaixo da superfície. Também descobrimos que essas ondas do manto podem gerar pulsos inexplicáveis de elevação do terreno longe das zonas de separação (rift) onde o continente se fragmentou originalmente.