O Parlamento da Ucrânia aprovou, nesta quinta-feira, a nomeação de Sergii Koretskyi, atual presidente da empresa estatal de energia Naftogaz, como novo primeiro-ministro do país. A mudança ocorre em meio a protestos na capital, Kyiv, após a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, que gerou descontentamento entre a população.

Demissão do Ministro da Defesa gera protestos

Mykhailo Fedorov confirmou em uma postagem na rede social X que seu mandato foi encerrado após apenas seis meses à frente do ministério. Ele é reconhecido por implementar uma estratégia baseada em dados para otimizar a guerra contra a Rússia, além de ter promovido inovações na tecnologia de combate e na modernização dos serviços governamentais.

A decisão de demitir Fedorov foi parte de uma reorganização do governo liderada pelo presidente Volodymyr Zelenskyy. Em resposta à exclusão do ministro popular, centenas de manifestantes se reuniram em Kyiv para expressar sua insatisfação. Embora Zelenskyy não tenha confirmado oficialmente a demissão, a mudança já está sendo discutida entre os parlamentares.

Koretskyi assume em um momento crítico

Com a saída de Yulia Svyrydenko, que pediu demissão esta semana, o presidente Zelenskyy justificou a escolha de Koretskyi destacando sua experiência no setor energético, crucial para preparar o país para um inverno desafiador. O novo primeiro-ministro foi aprovado pelo Parlamento em um momento em que a Ucrânia enfrenta uma guerra contínua com a Rússia e a pressão para manter a eficiência do governo em tempos difíceis.

Este é o segundo grande rearranjo do governo sob a liderança de Zelenskyy em um ano, refletindo a necessidade de adaptação às circunstâncias em constante mudança da guerra. Pesquisas de opinião recentes indicam que, embora a população ucraniana ainda confie na liderança do presidente, a demissão de Fedorov pode indicar que essa confiança tem limites.

No passado, Zelenskyy já reverteu decisões após protestos em massa, como no caso da desregulamentação das agências anti-corrupção, e a atual situação poderá exigir uma resposta semelhante caso os protestos aumentem.

As tensões na Ucrânia não se limitam apenas à política interna, uma vez que o país também intensificou suas ações contra a Rússia, atacando seis petroleiros russos no Mar Negro e no Mar de Azov, segundo informações do governo de Kyiv. Além disso, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer visitou Kyiv, sublinhando o apoio internacional à Ucrânia em meio à crise.