Protestos contra a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, ocorreram em diversas cidades da Ucrânia na manhã de quinta-feira, quando manifestantes pediram ao presidente Volodymyr Zelensky que o reintegrasse ao cargo. Fedorov foi removido na quarta-feira, e os legisladores devem votar em um novo governo ainda hoje.
Contexto da demissão
As manifestações surgem em um momento delicado, já que Fedorov, que assumiu o cargo há apenas seis meses, se destacou como um modernizador que buscou reformar as forças armadas da Ucrânia, que enfrentam desafios devido à invasão russa que dura mais de quatro anos. Sua saída gera incertezas para o exército, que está em uma de suas melhores posições na guerra nos últimos meses, tendo conseguido conter o avanço russo e realizar ataques a alvos militares e de petróleo na Rússia com drones de longo alcance.
Reações e consequências
Os protestos em Kyiv reuniram mais de mil pessoas, que cantaram o hino nacional ucraniano e empunharam bandeiras da Ucrânia e da União Europeia, gritando palavras de ordem como "vergonha" e "traga Fedorov de volta". A empresária Vlada Roman, de 30 anos, expressou à AFP sua indignação, afirmando que a demissão é um "tapa na cara do povo ucraniano" e que espera que Zelensky reverta a decisão, sugerindo que o presidente tem "medo de pessoas eficazes".
Além de Kyiv, houve relatos de protestos em outras cidades, como Lviv, Odesa e Dnipro. A saída de Fedorov foi anunciada em meio a uma ampla reformulação do governo ordenada por Zelensky, mas sem uma justificativa oficial clara. Os manifestantes veem a mudança como parte de uma luta interna entre Fedorov e o comandante-em-chefe das forças armadas, Oleksandr Syrsky.
Críticas à liderança de Zelensky
Vitalii Sych, editor-chefe do veículo ucraniano NV, comentou que, embora Zelensky se comporte como um herói em momentos difíceis, esses momentos muitas vezes são causados por suas decisões questionáveis. A proposta de um novo governo, sob a liderança do executivo de energia Sergii Koretskyi, sugere que o atual ministro do Interior, Ihor Klymenko, substitua Fedorov, o que tem gerado desconfiança na liderança de Zelensky.
O vice-comandante da força aérea da Ucrânia, Pavlo Yelizarov, também renunciou em protesto contra a demissão de Fedorov, classificando-a como "um grande mal" para a defesa do país. Em sua declaração de renúncia, Yelizarov expressou que foi uma grande honra trabalhar com Fedorov e que se juntou às forças de defesa em 2022 para vencer e não para simular ações.
Atualmente, não está claro se Fedorov receberá outra função no governo após sua demissão.
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