Medida da Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) acionou a Interpol na tentativa de localizar bens e ativos do empresário Daniel Vorcaro, investigado por um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao Banco Master. A confirmação da medida foi dada por investigadores que preferiram não se identificar, em entrevista à BBC News Brasil.
De acordo com os agentes, a solicitação foi realizada por meio da ferramenta conhecida como "Silver Notice" (Alerta Prata), um mecanismo da Interpol destinado ao rastreamento internacional de bens de indivíduos investigados ou condenados por crimes financeiros.
Expectativas e Investigações
Os investigadores acreditam que Vorcaro possui um patrimônio considerável distribuído em diferentes países, resultado de suas atividades supostamente ilícitas à frente do conglomerado que inclui o Banco Master. O colapso do grupo, que envolve pelo menos três instituições financeiras, causou um rombo de R$ 52 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A notificação à Interpol solicita que as autoridades dos países-alvo informem sobre a existência de imóveis, empresas, contas bancárias, embarcações, aeronaves e outros ativos que possam estar registrados em nome de Vorcaro ou vinculados a ele. Essas informações são essenciais para futuras ações de bloqueio, confisco e repatriação de bens, caso a Justiça determine que tenham origem ilícita.
Investigações apontam que parte do patrimônio de Vorcaro pode estar disperso em propriedades e fundos de investimento em diversos países, incluindo paraísos fiscais. Há preocupações de que ele consiga ocultar esses ativos ao longo do tempo, seja vendendo propriedades ou transferindo-os para outras pessoas.
Histórico e Implicações Legais
A busca por bens de Vorcaro tornou-se um foco crucial para a PF desde o início da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025. Ele foi preso na primeira fase da operação, mas liberado e novamente preso em março de 2026. As investigações envolvem alegações de crimes contra o sistema financeiro, incluindo tentativas de venda de ativos do Banco Master a preços superfaturados.
A defesa de Vorcaro nega as acusações e, durante as tentativas de um acordo de colaboração premiada, ele não forneceu informações sobre a localização de seu patrimônio, o que impediu o avanço do acordo. Atualmente, ele permanece detido em uma penitenciária de Brasília.
Além disso, investigações estão sendo conduzidas sobre suas relações com políticos e membros do Judiciário, incluindo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que se tornaram alvos de questionamentos devido a ligações com o caso. Toffoli, por exemplo, deixou a relatoria do caso após solicitações de redistribuição, enquanto Moraes enfrentou escrutínio por um contrato significativo entre o Banco Master e um escritório de advocacia associado.
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