A prefeita de Yawata, Shoko Kawata, anunciou sua licença-maternidade e, com isso, gerou uma discussão intensa em todo o Japão sobre a licença de políticos eleitos. A jovem de 35 anos se tornou a primeira prefeita do país a se afastar oficialmente para dar à luz, em um momento em que o Japão enfrenta desafios para aumentar sua taxa de natalidade.
Kawata, que assumiu o cargo em 2020, revelou seus planos em uma coletiva de imprensa em maio, informando que se afastaria por dois meses antes e dois meses após sua data prevista para o parto, que é em setembro. Como não existe uma estrutura legal que permita a prefeitos locais tirarem licença-maternidade, ela designou seu vice, Shigeto Nose, para assumir suas funções temporariamente.
Reações divididas à decisão
Enquanto seus colegas de trabalho, com uma média de idade de 39 anos, apoiaram sua decisão, a resposta do público foi mista. Em milhares de postagens e vídeos no X e YouTube, algumas pessoas elogiaram Kawata por priorizar sua família e por ser um exemplo para outras mulheres na política. Uma internauta mencionou que a sociedade japonesa falhou em criar sistemas que considerem a gravidez.
Por outro lado, críticos afirmaram que a prefeita estava sendo “irresponsável” ao se afastar de suas obrigações públicas e sugeriram que, se ela desejava ter filhos, deveria ter feito isso antes de assumir o cargo. Outros defenderam cortes salariais para políticos em licença-maternidade e alguns chegaram a afirmar que os funcionários de alto escalão deveriam renunciar se quisessem tirar uma licença prolongada.
Desafios enfrentados pelas mulheres na política
Kawata, que se formou em economia pela Universidade de Kyoto, destacou que a crítica à licença-maternidade de políticos exclui mulheres em idade fértil de funções públicas. “Se criticarmos políticos por tirarem licença-maternidade, estamos efetivamente excluindo todas as mulheres de 20 a 40 anos da política”, afirmou.
Shinji Ishimaru, ex-prefeito de Akitakata, sugeriu que a questão real é como garantir que as funções sejam cumpridas durante a licença. Ele acredita que a situação de Kawata pode iniciar uma discussão produtiva sobre como lidar com essas ausências sem prejudicar a administração municipal.
Embora o Japão tenha uma das maiores economias do mundo, ele ocupa posições baixas em termos de igualdade de gênero. Um levantamento do Gabinete do Japão, realizado em julho de 2025, identificou diversos obstáculos que impedem as mulheres de entrar na política, incluindo preconceitos e assédio.
As licenças-maternidade e paternidade no Japão garantem tempo de folga e compensação parcial de renda, mas nem todos os pais as utilizam. As mulheres têm direito a seis semanas antes do parto e oito semanas após o nascimento, enquanto os pais podem tirar até quatro semanas de licença paga.
Kawata espera que sua experiência sirva de exemplo e que a sociedade avance para um modelo em que mulheres possam equilibrar carreira e família sem escolher entre os dois.
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