Placa indica obras para construção de Centro TEA em praça do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo Leonardo Zvarick/g1 A Prefeitura de São Paulo informou que está reavaliando a construção de um novo Centro TEA – serviço de atendimento terapêutico para pessoas com transtorno do espectro autista – na Praça Kaol Sugimoto, no Butantã, Zona Oeste da capital. Parte da vizinhança se mobilizou para pedir que a área verde seja preservada e que o poder público procure outro endereço para o equipamento. A área está cercada por tapumes desde a semana passada e uma placa indica início da obra em 8 de junho.
Questionada, a gestão Ricardo Nunes (MDB) disse que a implantação do Centro TEA no local "está sendo reavaliada e não há qualquer decisão tomada sobre eventual supressão de vegetação no local", segundo nota enviada ao g1 na segunda-feira (30). Localizada na Avenida Eliseu de Almeida, a praça é composta por um fragmento nativo de Mata Atlântica com densa cobertura vegetal. O local integra a bacia hidrográfica do córrego Pirajuçara – afluente do Rio Pinheiros que corre sob a via – e tem alto potencial de infiltração, funcionando como importante área de drenagem natural.
É também um abrigo de fauna silvestre, como saguis e tucanos. No início de junho, a administração municipal assinou contrato de R$ 69 milhões com a Construmedici Engenharia e Comércio para elaboração do projeto executivo e construção da unidade. Um termo de referência da SP Obras indicava a necessidade de obtenção de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) para a remoção de até 100 árvores antes da execução da obra.
Agora no g1 Questionada, a prefeitura disse que "não há nenhuma decisão tomada sobre a supressão vegetal no local" e que "a ação iniciada neste mês trata-se somente de um mapeamento das árvores existentes como uma etapa preliminar dos estudos". Moradores relatam, porém, que a empreiteira já começou a descarregar materiais no terreno. A praça também deixou de ser classificada como tal na plataforma Geosampa, sistema da prefeitura com dados georreferenciados do município.
Os integrantes do movimento pela preservação da área argumentam que a Praça Kaol Sugimoto não é um terreno ocioso, mas espaço consolidado de convivência comunitária. Segundo eles, o espaço foi reservado como jardim no loteamento original do Jardim Rolinópolis, de 1952. Em 1999, a área recebeu oficialmente o nome do escotista Kaol Sugimoto por meio de lei municipal.
Um abaixo-assinado virtual pedindo que o município considere outras áreas para receber o futuro equipamento público já reúne mais de 2,2 mil assinaturas. Os organizadores afirmam apoiar a ampliação da rede de atendimento a pessoas autistas, mas defendem que a iniciativa não resulte em prejuízo ambiental. Imagem de satélite mostra densa cobertura vegetal na Praça Kaol Sugimoto.
Ao lado, projeto de Centro TEA da prefeitura ocupa mais da metade do terreno Reprodução/Google Earth e SP Obras Anunciado em maio pelo prefeito Ricardo Nunes, o Centro TEA Oeste integra a meta da atual administração de construir quatro unidades especializadas até 2028. O primeiro centro foi inaugurado em abril de 2025, na Zona Norte da cidade.
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