A procissão fúnebre do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, teve início na manhã de segunda-feira em Teerã, conforme relatado pela televisão estatal. O evento marca o terceiro dia de um funeral de Estado, que o governo iraniano pretende usar como uma demonstração de força e unidade nacional.
A cerimônia oferece ao Irã a oportunidade de projetar resiliência após cinco semanas de conflito com os Estados Unidos e Israel, enquanto a atenção se volta para o sucessor de Khamenei, seu filho Mojtaba Khamenei, que não apareceu em público desde que assumiu o poder.
Multidões e homenagens
Após dois dias de velório no complexo religioso Grand Mosalla, o corpo de Khamenei, que foi morto no primeiro dia da guerra no Oriente Médio em 28 de fevereiro, começou sua jornada pela capital, acompanhado por uma grande quantidade de mourners. Relatos da emissora estatal IRIB indicam que os mourners se reuniram na Praça Imam Hussein, onde penduraram um boneco em efígie do presidente dos EUA, Donald Trump.
As autoridades esperam evitar a repetição do caos que marcou o funeral de 1989 de seu predecessor, aiatolá Ruhollah Khomeini, que atraiu cerca de 10 milhões de pessoas, resultando em mortes e ferimentos em massa. Para garantir a segurança, muros de concreto foram erguidos para separar o público do caixão e evitar tumultos.
Contexto político e militar
O novo comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, e Esmail Qaani, chefe da Força Quds, responsável pelas operações externas, também compareceram ao funeral. Embora as autoridades iranianas tenham buscado apresentar uma frente unida, nenhum dos ex-presidentes sobreviventes, que tiveram relações tensas com Khamenei, compareceu às cerimônias.
A mobilização em massa em apoio ao governo é um ponto que as autoridades desejam enfatizar, especialmente após os protestos em janeiro, que, segundo grupos de direitos humanos, foram reprimidos com violência, resultando na morte de milhares. O governo está ansioso para demonstrar que a população permanece unida após esses eventos.
Enquanto isso, a guerra no Oriente Médio está temporariamente suspensa após um cessar-fogo e um acordo inicial com os EUA. Tanto Washington quanto Teerã alertaram que estão prontos para retomar ações militares, e o tema da vingança tem sido recorrente nas cerimônias fúnebres. “Os assassinos de Khamenei devem ser punidos”, afirmou um homem de 38 anos que se apresentou apenas pelo sobrenome Miremadi durante as orações no domingo.
“Apoiamo-nos à nossa revolução e ao nosso líder, e exigimos vingança pelo sangue de nossos entes queridos”, disse uma mulher de 39 anos, com o sobrenome Bakand. Khamenei, que governou a república islâmica por mais de 35 anos, sempre perseguiu uma política de confronto com o Ocidente, sustentando grupos armados antiamericanos e anti-Israel ao longo do Oriente Médio.
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