O tráfego pelo Estreito de Hormuz sofreu uma queda significativa após uma série de ataques recíprocos entre os Estados Unidos e o Irã, que se intensificaram após um ataque a três petroleiros no início da semana. Na quarta-feira, apenas 23 navios, entre petroleiros e embarcações de carga, cruzaram a importante via marítima do Golfo, conforme dados da empresa de inteligência marítima Kpler, uma redução em relação aos 47 registrados uma semana antes.
Os três navios atingidos estavam utilizando uma rota recomendada pelos EUA, que passa por águas de Omã. O Irã, por sua vez, tem afirmado reiteradamente que a única rota 'segura' para a navegação é aquela que transita por suas próprias águas. Historicamente, os embarques têm desfrutado de passagem livre pelo estreito, que é responsável por mais de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás, além de envios de fertilizantes e outros bens essenciais.
Contexto dos conflitos no Estreito de Hormuz
Antes do início do conflito, uma média de 138 embarcações transitaram pelo estreito diariamente, segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), uma organização multinacional que inclui os EUA. Após os primeiros ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, esse número diminuiu para apenas alguns navios por dia, com o Irã efetivamente bloqueando a passagem ao atacar embarcações e colocar minas no estreito. A resposta dos EUA foi a imposição de um bloqueio a todos os navios que saíam ou entravam em portos iranianos.
Um acordo para encerrar as hostilidades, assinado em 17 de junho, previa a reabertura do estreito, com os EUA concordando em suspender seu bloqueio naval e aliviar as sanções sobre as exportações de petróleo iranianas. Após o acordo, o tráfego no estreito aumentou temporariamente, alcançando um pico de 72 navios em 24 de junho.
Reações e consequências dos ataques recentes
No entanto, as recentes agressões impactaram diretamente o tráfego. Os três navios que foram atacados - um petroleiro de gás natural liquefeito (GNL) de propriedade do Catar, um petroleiro de petróleo bruto da Arábia Saudita e um petroleiro com bandeira da Libéria - estavam cruzando o estreito próximo à rota recomendada pelos EUA quando foram atingidos. Após os ataques, o número de embarcações utilizando a rota de Omã caiu abruptamente, com nenhum navio registrado na quarta-feira, uma queda em relação a três embarcações no dia anterior, enquanto a média antes dos ataques era de cerca de 10 navios por dia.
Martin Kelly, analista sênior da empresa de segurança EOS Risk Group, prevê que os próximos eventos seguirão um padrão semelhante ao anterior. 'Haverá um vai e vem entre os EUA e o Irã antes que eles façam as pazes novamente, e o transporte marítimo oscilará cautelosamente até que o Irã ataque outro navio, reiniciando o ciclo', afirmou.
O memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irã em 17 de junho comprometeu Teerã a usar 'seus melhores esforços para garantir a passagem segura de embarcações comerciais sem cobrança por 60 dias'. No entanto, críticos apontam que não há garantias de que o Irã respeitará a passagem livre a longo prazo.
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