A agenda nacional voltada para a recomposição das aprendizagens, que surgiu como resposta às dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19, está se consolidando em políticas cada vez mais estruturadas. Um estudo divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Unibanco, nesta quinta-feira (25), revela que 82,8% das iniciativas dos entes federados possuem respaldo em normas formais.

O levantamento, que mapeou 151 iniciativas em 24 estados, tem como base o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens. O relatório destaca que as redes de ensino estão se organizando para enfrentar defasagens educacionais, garantir o direito à aprendizagem e promover a equidade no acesso à educação de qualidade.

Desafios na Implementação

Embora o estudo apresente avanços, também sinaliza desafios. Apenas 44% das redes de ensino mantêm canais de comunicação ativa com professores e gestores para a colaboração na formulação das estratégias. Em 67% das iniciativas, o currículo foi desenvolvido por equipes técnicas sem ampla participação docente, o que limita a contribuição de quem está na sala de aula.

Papel dos Educadores e Formação Docente

O estudo aponta que os programas de formação são mais direcionados a coordenadores pedagógicos (73%) e gestores (63%), alcançando diretamente os professores em apenas 52% dos casos. Além disso, o material didático ainda é majoritariamente tradicional, com apenas 20% das iniciativas utilizando ferramentas digitais.

Para Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, as evidências coletadas são essenciais para entender como as políticas estão sendo estruturadas e onde estão os principais obstáculos. Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, enfatiza a importância de transformar o conhecimento acumulado em inteligência coletiva para superar as lacunas educacionais.