Um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU), coautorado por pesquisadores da Universidade de Portsmouth, apresenta um roteiro prático para que governos desenvolvam economias azuis sustentáveis. O documento é especialmente relevante em um contexto onde a poluição, as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade impõem crescentes desafios aos ecossistemas marinhos e de água doce, que sustentam bilhões de pessoas e uma economia oceânica global avaliada em US$ 2,2 trilhões.
Uma abordagem integrada para a economia azul
Publicada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a Estrutura de Transição para uma Economia Azul Sustentável foi elaborada com contribuições do Instituto Revolution Plastics, da Universidade de Portsmouth. O framework visa ajudar os governos a traduzir suas ambições em políticas, planejamentos e investimentos que protejam os ecossistemas aquáticos, ao mesmo tempo em que promovem o desenvolvimento econômico a longo prazo.
O relatório destaca que as abordagens atuais para a gestão do oceano frequentemente são fragmentadas. Setores como pesca, navegação e turismo operam de forma independente, apesar de compartilharem muitos dos mesmos recursos naturais. Essa fragmentação, combinada com a sobrepesca, poluição e mudanças climáticas, acelera o declínio dos ecossistemas que regulam o clima, apoiam a biodiversidade, garantem a segurança alimentar e sustentam meios de subsistência ao redor do mundo.
Foco em soluções baseadas na natureza
Diferente de uma solução única, o framework orienta os países a desenvolverem caminhos para uma economia azul sustentável que reflitam suas próprias prioridades, sistemas de governança e estágios de desenvolvimento. A estrutura delineia uma abordagem em três fases que permite aos governos entender seus sistemas existentes, estabelecer uma visão compartilhada para mudanças e integrar a sustentabilidade no planejamento, na tomada de decisões e nos investimentos cotidianos.
As soluções baseadas na natureza são fundamentais para essa estrutura. O relatório enfatiza como a proteção e a restauração de ecossistemas como manguezais, recifes de corais, gramíneas marinhas e wetlands podem gerar múltiplos benefícios, incluindo resiliência climática, conservação da biodiversidade, redução de riscos de desastres, segurança alimentar e meios de subsistência sustentáveis.
Para facilitar a implementação, a estrutura é acompanhada de uma Avaliação Rápida de Prontidão para a Economia Azul Sustentável, uma ferramenta prática que auxilia os governos a avaliar políticas existentes, instituições, financiamentos e arranjos de governança, identificar prioridades para ação e construir impulso para reformas de longo prazo.
Susan Gardner, diretora da Divisão de Ecossistemas do PNUMA, afirmou: "O framework coloca soluções baseadas na natureza, governança participativa e cooperação entre governos no centro da tomada de decisões. Ele incentiva os países a olharem além dos ganhos de curto prazo e a considerarem os impactos ambientais, sociais e econômicos mais amplos de suas decisões."
O professor Steve Fletcher, diretor do Instituto Revolution Plastics, ressaltou que "entregar uma economia azul sustentável requer que os governos equilibrem o desenvolvimento econômico com a saúde a longo prazo dos ecossistemas marinhos e de água doce". O relatório busca fundamentar essas decisões em evidências, respondendo às circunstâncias nacionais e focando na implementação.
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