O relatório "Risco Brasil", divulgado neste mês pela consultoria Arko Advice, aponta que o risco geopolítico enfrentado pelo Brasil está fortemente ligado às decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As tensões na política internacional são avaliadas como um risco médio, com uma nota de 48 em uma escala de zero a 100, com uma tendência de agravamento nos próximos meses.

Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, afirmou ao WW que "nunca tivemos uma influência tão grande da geopolítica em uma eleição" no Brasil, comparando a situação atual com o impacto da Segunda Guerra Mundial em 1945.

Influências Externas e Eleições

De acordo com o relatório, as questões relacionadas ao cenário internacional terão repercussões tanto no contexto doméstico quanto nas eleições deste ano. A consultoria destaca que as decisões tomadas na Casa Branca, especialmente em relação ao crime organizado, podem afetar diretamente o Brasil. Um dos principais fatores é a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas pelos Estados Unidos, o que gera implicações diplomáticas e financeiras.

Além disso, novos atos do Departamento do Tesouro americano, como a aplicação de sanções a indivíduos e empresas ligadas a esses grupos, podem agravar o cenário eleitoral. O Itamaraty já expressou preocupação, afirmando que a possibilidade de ação militar dos EUA em território brasileiro foi considerada, ressaltando que tais classificações não trarão benefícios concretos no combate ao crime.

Em resposta, o Departamento de Estado dos EUA qualificou a hipótese de intervenção militar como "absurda" e defendeu as medidas de segurança adotadas.

Instabilidade no Mercado de Petróleo

Outro fator que compõe o risco geopolítico é a instabilidade no Estreito de Ormuz e suas consequências para o preço do petróleo. Apesar de um acordo de cessar-fogo, a recuperação do tráfego marítimo na região tem sido lenta e afetada por conflitos entre os Estados Unidos e o Irã. Anteriormente, cerca de 100 navios comerciais transitavam pelo estreito diariamente; após a nova trégua, esse número caiu para 34 em 4 de julho. Essa situação pode impactar a inflação e o abastecimento de combustíveis no Brasil.

O relatório também menciona o impasse tarifário com os EUA como um potencial fator de risco, pois as negociações sobre tarifas de 25% por práticas comerciais desleais estão em andamento. Embora Aragão acredite que as tarifas não terão um impacto direto nas eleições, ele observa que a questão internacional alterará as estratégias de campanha, desafiando as narrativas dos candidatos.