O técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, afirmou que não irá misturar futebol e política antes da semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra, marcada para esta quarta-feira no Estádio de Atlanta. As duas nações se enfrentam novamente em uma das rivalidades mais antigas do futebol internacional, com a Inglaterra buscando derrotar os atuais campeões e alcançar sua primeira final desde 1966.

A rivalidade entre Argentina e Inglaterra é marcada não apenas por confrontos em campo, mas também por disputas políticas, principalmente devido à Guerra das Malvinas em 1982. O conflito de 74 dias resultou na morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três civis. As Ilhas Malvinas, conhecidas na Argentina como Las Malvinas, continuam a ser objeto de disputa de soberania entre os dois países.

Histórico e respeito às memórias

Scaloni ressaltou a importância de manter o foco no futebol, afirmando: "A realidade é que este é um jogo de futebol. Não posso misturar as coisas, especialmente por respeito ao que aconteceu há tantos anos." Ele acrescentou que o período da guerra é uma parte triste da história e que, embora as memórias sejam importantes, o jogo deve ser visto como tal. "As coisas estão acontecendo em outras partes do mundo, e criticamos a existência da guerra. Certamente lembramos dessas pessoas, mas é um jogo de futebol; não devemos confundir as duas coisas," disse Scaloni.

Por conta das tensões históricas entre os dois países, medidas de segurança adicionais serão implementadas em Atlanta para o confronto. Após a vitória dramática da Argentina sobre o Egito nas oitavas de final, os jogadores foram filmados cantando uma música que faz referência às Ilhas Malvinas e a lendas do futebol argentino, como Diego Maradona e Lionel Messi.

Desempenho da Argentina e desafios contra a Inglaterra

Maradona foi responsável pela vitória da Argentina sobre a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, onde marcou o famoso gol da "Mão de Deus". Agora, Messi, capitão da equipe, enfrentará os ingleses pela primeira vez em sua carreira. O jogador, que já conquistou oito prêmios Ballon d'Or, tem sido fundamental para a campanha da Argentina, marcando um total de oito gols no torneio, empatando com o atacante francês Kylian Mbappé.

No entanto, a equipe argentina teve dificuldades em seu desempenho coletivo, enfrentando desafios em todos os jogos eliminatórios. Além da vitória sobre o Egito, a Argentina precisou de prorrogação para vencer Cabo Verde na fase de 32 e novamente na fase de quartas de final, superando a Suíça, que jogou com um a menos.

Scaloni, que levou a Argentina à vitória na Copa do Mundo há quatro anos no Catar, afirmou não estar preocupado com a forma de sua equipe antes do embate com a Inglaterra. "Um mês e meio atrás, eu teria aceitado chegar à semifinal se você me oferecesse isso, então não me importo com como chegamos aqui," comentou o treinador. Ele também se preparou para enfrentar os jogadores ingleses Harry Kane e Jude Bellingham, que marcaram seis gols cada durante o torneio. "Eles são dois grandes jogadores, entre os melhores do mundo. Qualquer treinador gostaria de tê-los," concluiu Scaloni.