O governo do México anunciou que solicitará formalmente ao sistema judiciário dos Estados Unidos que sejam apresentadas acusações criminais relacionadas à morte de cidadãos mexicanos em operações de imigração. A decisão foi divulgada pela presidente Claudia Sheinbaum, após a morte de Lorenzo Salgado Araujo, um cidadão mexicano, que foi baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante uma operação em Houston no dia 7 de julho.
Com esta ação, o México busca responsabilizar as autoridades americanas pelas mortes de seus cidadãos, já que mais de uma dezena de mexicanos faleceram durante operações de imigração ou enquanto estavam sob custódia das autoridades dos EUA. Salgado é o 17º nacional mexicano a morrer em circunstâncias semelhantes desde que Donald Trump assumiu a presidência novamente no ano passado.
Convocação à solidariedade
Durante uma coletiva de imprensa diária, Sheinbaum fez um apelo à sociedade mexicana e a todos os partidos políticos para que demonstrem solidariedade com os cidadãos afetados. “Esta não é apenas uma questão do governo mexicano. Eu convoco todos, toda a sociedade mexicana, para mostrar solidariedade com nossos compatriotas nos Estados Unidos. Não creio que alguém aprove essa situação”, afirmou a presidente.
A líder mexicana destacou que, apesar de o país não ter a intenção de criar um conflito com os EUA, não pode permanecer em silêncio diante das mortes de seus cidadãos apenas para manter uma boa relação com a administração Trump. “Devemos levantar nossas vozes quando há violações de direitos humanos contra nossos compatriotas”, enfatizou.
Ações mais contundentes
O Ministro de Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, também anunciou que o governo está se preparando para formalizar o pedido de acusações criminais nos EUA. Esta é a ação mais contundente do México em resposta às mortes relacionadas à política de deportação de Trump. Autoridades mexicanas classificaram algumas das mortes como homicídios, e as cartas de protesto enviadas a Washington não resultaram em ações concretas.
O momento é delicado nas relações entre os dois países. Desde que Trump reassumiu a presidência, ele tem pressionado a economia mexicana com tarifas, se recusado a renovar o acordo comercial mais importante entre as nações e autorizado intervenções diretas da CIA contra os cartéis de drogas no México, colocando Sheinbaum em uma posição difícil.
Ainda assim, a presidente tem evitado confrontos abertos, colaborando com Washington em questões de tráfico de drogas e migração, ao mesmo tempo em que defende a soberania mexicana. Essa combinação de cooperação e resistência tem contribuído para que sua aprovação popular alcance cerca de 68%.
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