Sites conhecidos como "sites de dopamina" estão ganhando destaque por reproduzirem a experiência de compras online sem que o usuário realize efetivamente uma compra. Esses ambientes virtuais permitem que os consumidores escolham produtos, leiam avaliações e até acompanhem o 'envio', mas não há transações financeiras envolvidas.

A denominação "sites de dopamina" se refere ao neurotransmissor que está ligado às sensações de recompensa e expectativa. Assim, mesmo sem efetuar compras, os usuários experimentam uma forma de prazer ao navegar por essas plataformas. Essa tendência começou a se popularizar na Coreia do Sul com iniciativas como o "Food Only Doesn't Come", que simula aplicativos de entrega de comida.

Um usuário sul-coreano, identificado como Kim, relatou ao "The Korea Times" que acessa o site durante a madrugada, quando tem vontade de pedir comida, mas prefere evitar gastos. Ele afirmou: "Parece um aplicativo de entrega de verdade, então acabo sempre olhando (...) conforme navego, meu humor de alguma forma melhora um pouco".

O funcionamento e a lógica por trás dos sites de dopamina

Embora pareçam contraditórios, esses sites se baseiam em um modelo econômico que observa e interpreta o comportamento dos usuários. Cada interação — como cliques e tempo de navegação — gera dados que podem ser utilizados para prever futuras ações dos consumidores. Alexandre Marquesi, professor de marketing digital, afirmou: "O mais valioso não é saber quem você é, mas como você age... são os hábitos repetidos que ajudam as plataformas a prever o que você vai querer".

Essas informações permitem que as plataformas desenvolvam estratégias para publicidade direcionada e até mesmo para a previsão de tendências de consumo. Embora os sites de dopamina não realizem vendas, eles se sustentam através de publicidade e parcerias. O "Food Only Doesn't Come", por exemplo, se mantém com anúncios, patrocínios e doações de usuários que apreciam a experiência.

A competição com lojas tradicionais e o prazer de consumir

A dinâmica do consumo digital não é apenas racional; ela é impulsionada por desejos imediatos e fatores emocionais. Os sites de dopamina atendem a esses impulsos sem a necessidade de compras, o que pode representar um desafio para os e-commerces tradicionais. Marquesi alerta que esse modelo pode reduzir o consumo final, uma vez que os usuários podem satisfazer suas vontades momentaneamente sem gastar.

A psicóloga Tatiana Filomensky observa que a expectativa de compra já gera prazer, e a ausência de barreiras físicas no ambiente online intensifica essa experiência. Antes, o ato de passear em um shopping tinha limites, mas no digital, essas fronteiras se dissipam, permitindo que os usuários experimentem prazer sem a necessidade de efetuar compras reais.