Um estudo recente da Northwestern Medicine revela que o teste de apolipoproteína B (apoB) pode ser mais eficiente que o teste padrão de colesterol LDL na identificação de pacientes que precisam de tratamento intensivo para prevenir infartos e derrames. Publicada na revista JAMA, a pesquisa aponta que o uso do apoB para guiar terapias de redução de colesterol, como estatinas, pode resultar em melhores resultados de saúde e ainda ser custo-efetivo para o sistema de saúde dos Estados Unidos.
Atualmente, milhões de americanos realizam anualmente exames de sangue para medir o colesterol LDL, frequentemente considerado o colesterol “ruim”. No entanto, os pesquisadores descobriram que a medição do apoB, que quantifica as partículas de colesterol prejudiciais, é mais eficaz na determinação da necessidade de intensificação do tratamento.
A importância do teste de apoB
De acordo com Ciaran Kohli-Lynch, autor principal do estudo e professor assistente de medicina preventiva na Northwestern University Feinberg School of Medicine, essa é a primeira análise abrangente a demonstrar que o uso do apoB para orientar o tratamento do colesterol é também custo-efetivo. “Descobrimos que o teste de apoB para intensificar a medicação para redução de colesterol poderia prevenir mais infartos e derrames do que a prática atual, e esses benefícios à saúde foram alcançados a um custo que representa um bom valor para os pagadores de saúde nos EUA”, afirmou Kohli-Lynch.
A doença cardíaca continua sendo a principal causa de morte nos Estados Unidos e gera gastos significativos no setor de saúde. Com o tempo, pequenas partículas de colesterol podem ficar retidas nas paredes das artérias, formando placas que restringem o fluxo sanguíneo, aumentando assim o risco de eventos cardiovasculares.
Comparação entre métodos de teste
Os médicos tradicionalmente utilizam os níveis de colesterol LDL e não HDL para decidir quando os pacientes devem iniciar ou intensificar o tratamento para redução de colesterol. Embora esses testes forneçam informações úteis, eles não capturam completamente o risco cardiovascular de uma pessoa. Kohli-Lynch explica que o apoB é mais eficaz na identificação de quem está em risco, pois contabiliza o número total de partículas prejudiciais no sangue.
Para avaliar a eficácia do teste de apoB, a equipe de pesquisa criou uma simulação em computador representando 250 mil adultos americanos elegíveis para terapia com estatinas, mas sem doenças cardiovasculares prévias. O modelo comparou três abordagens para guiar o tratamento: colesterol LDL, colesterol não HDL e apoB. Os resultados mostraram que o uso de apoB consistentemente apresentou melhor desempenho em termos de resultados de saúde, prevenindo mais eventos cardiovasculares e sendo considerado custo-efetivo.
Esses achados surgem em um momento em que os médicos dispõem de mais opções de medicamentos para redução de colesterol do que nunca. As diretrizes atualizadas da American Heart Association e de outras 10 organizações médicas recomendam que muitas pessoas iniciem a terapia de redução de colesterol em idades mais jovens, tornando ainda mais crucial a identificação precisa de quem se beneficiaria mais de um tratamento intensivo.
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