Cientistas da Universidade de Boston identificaram uma assinatura química única no sangue de centenários que pode oferecer novas perspectivas sobre o envelhecimento saudável e a longevidade. O estudo revela que esses indivíduos têm padrões metabólicos distintos, incluindo níveis elevados de ácidos biliares e esteroides, que se diferenciam do envelhecimento comum e estão associados a um menor risco de mortalidade.

Metabolismo e Envelhecimento Saudável

Segundo os pesquisadores, a longevidade excepcional de algumas pessoas que vivem até os 100 anos ou mais é atribuída a uma combinação de fatores genéticos e hábitos saudáveis. Estima-se que a genética responda por até 50% da capacidade de alcançar uma idade avançada, enquanto fatores de estilo de vida, como uma dieta rica em vegetais, atividade física regular e relações sociais robustas, também desempenham papéis cruciais.

A pesquisa conduzida pela Chobanian & Avedisian School of Medicine analisou amostras de sangue de 213 participantes do New England Centenarian Study, um dos maiores estudos sobre pessoas com idade extremamente avançada na América do Norte. O estudo, liderado pelo Dr. Thomas Perls, incluiu 70 centenários, seus filhos e participantes de controle com idades semelhantes.

Identificação de Biomarcadores

Os cientistas utilizaram um ensaio de metabolômica não direcionada para medir aproximadamente 1.495 pequenas moléculas no soro sanguíneo. As análises compararam os níveis de metabolitos entre centenários, seus descendentes e controles, além de identificar moléculas que mudam com a idade cronológica. Para fortalecer os resultados, os pesquisadores também compararam suas descobertas com quatro outros estudos de metabolômica, alguns dos quais incluíam pessoas longevas e outros não.

Além disso, a equipe examinou quais metabolitos estavam associados à longevidade dos participantes após a coleta das amostras de sangue. Um modelo de aprendizado de máquina, chamado de “relógio metabolômico”, foi desenvolvido para estimar a idade biológica a partir dos níveis de metabolitos e avaliar a relação entre a idade biológica e a sobrevivência.

Os pesquisadores acreditam que os padrões metabólicos identificados podem servir como biomarcadores para estimar a idade biológica, identificar pessoas em risco de declínio relacionado à idade e monitorar como os indivíduos respondem a mudanças no estilo de vida ou intervenções médicas.

O Dr. Stefano Monti, autor correspondente do estudo, ressalta: “Esperamos que este estudo ajude a identificar sinais metabólicos mensuráveis de envelhecimento saudável que possam ser monitorados e direcionados.” No entanto, ele observa que o desenho transversal do estudo limita a capacidade de determinar causa e efeito, e que os achados precisam ser validados em populações maiores e mais diversas.

Os resultados foram publicados na revista GeroScience.