Cinquenta dias após a liberação das vaquinhas virtuais para as eleições de 2026, a plataforma QueroApoiar revelou que os dez pré-candidatos mais apoiados arrecadaram juntos quase R$ 3 milhões. Esta modalidade de financiamento é regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permite doações de pessoas físicas a políticos.
O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, lidera o ranking com mais de R$ 1 milhão em doações, totalizando R$ 1,134 milhão provenientes de aproximadamente 19 mil apoiadores. Outros candidatos com arrecadações significativas incluem Jones Manoel (Psol) com R$ 447 mil, Marcel Van Hattem (Novo) com R$ 338 mil e Rodrigo Spada (PSD) com R$ 260 mil.
Perfil dos pré-candidatos mais apoiados
A maioria dos pré-candidatos que se destacam na arrecadação é de direita e possui forte presença nas redes sociais. Segundo o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, isso se deve ao fato de que os políticos de direita têm utilizado essas plataformas há mais tempo, enquanto a esquerda começou a se adaptar mais recentemente. Teixeira aponta uma correlação entre o apoio financeiro e a força nas redes sociais, onde muitos usuários não estão vinculados a estruturas políticas tradicionais.
Os políticos que figuram no topo do ranking, como Renan Santos e Kim Kataguiri, contam com a infraestrutura de suas siglas, enquanto Jones Manoel, com quase 2 milhões de seguidores no Instagram, possui um forte ativismo individual. Outros candidatos, como Elias Jabbour e Rodrigo Spada, trazem experiências prévias em suas áreas, contribuindo para sua visibilidade.
Importância do financiamento coletivo nas campanhas
O partido Missão é o que mais arrecadou até o momento na plataforma Quero Apoiar, o que é essencial para sua campanha, já que a sigla receberá uma cota mínima do Fundo Eleitoral do TSE, de R$ 3.307.679,85. Amanda Vettorazzo, vereadora em São Paulo e coordenadora da campanha de Renan Santos, destacou que o partido não conta com Fundo Partidário, o que torna as doações ainda mais relevantes.
Até o momento, pré-candidatos como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não abriram vaquinhas virtuais, optando por depender de suas estruturas partidárias tradicionais. De acordo com o advogado especialista em Direito Eleitoral Francisco Zarco, essas candidaturas tendem a lançar suas campanhas de arrecadação mais tarde, entre o final de julho e o início de agosto.
As vaquinhas, que são doações de pessoas físicas para campanhas eleitorais, foram regulamentadas pelo TSE em 2019 e têm sido utilizadas em várias eleições desde então. As regras estabelecem limites para as doações e exigem que candidatos e partidos mantenham contas bancárias específicas para receber os valores.
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