Um venezuelano que reside em São Paulo há uma década passou cerca de 10 horas aflito, sem notícias de seu pai e irmão, após dois terremotos devastadores atingirem Caracas na noite de quarta-feira (24). Segundo dados do governo venezuelano, o número de mortes já chegou a 188, com mais de 1.500 feridos.

Roberto Mário Ávila Sansobrino, professor de educação física, descreveu ao g1 o desespero vivido enquanto acompanhava as informações sobre a destruição na capital. Ele só conseguiu relaxar quando recebeu uma mensagem de seus familiares. “Eu estava lá assistindo o jogo do Brasil e uma amiga me mandou: 'você viu que teve um terremoto?'. Eu falei: 'não'. Até então não tinha percebido que era na Venezuela”, contou.

Após tentar entrar em contato sem sucesso, a angústia durou até o dia seguinte, quando recebeu notícias de seu irmão. “Era por volta das 17h desta quinta quando meu irmão mandou uma mensagem dizendo que estavam todos bem. Na hora do terremoto, eles estavam na casa de um amigo em outro bairro. Não caiu nada, só tremeu”, explicou. O prédio onde moram não sofreu danos, mas o vizinho foi destruído.

Além das vítimas fatais, os tremores causaram a queda de prédios e uma grande destruição na capital e arredores. O presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, informou que cerca de 250 edifícios foram completamente derrubados ou danificados. O balanço é provisório e equipes de resgate buscam desaparecidos entre os escombros, com mais de 24 mil pessoas sendo procuradas.

Vários países, incluindo Brasil e Estados Unidos, se prontificaram a enviar equipes para ajudar nas operações de busca.

Entenda os terremotos

Os sismos, que ocorreram em um intervalo de menos de um minuto, tiveram epicentro em El Guayabo, a 168 km de Caracas, e intensidades de 7,2 e 7,5. A baixa profundidade dos tremores contribuiu para a devastação, especialmente em áreas densamente povoadas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que o número de mortos pode ultrapassar 10 mil.