Nesta semana, a influenciadora digital Virgínia Fonseca recorreu às redes sociais para relatar sua experiência com a soroterapia, afirmando ter se sentido mais disposta após o tratamento. O vídeo gerou um novo debate sobre a crescente popularização da soroterapia, que é promovida como um método para melhorar o bem-estar, retardar o envelhecimento e aumentar a performance física.

Clínicas de estética e consultórios em todo o Brasil têm oferecido coquetéis intravenosos, que prometem benefícios diversos. Contudo, especialistas ressaltam que muitas dessas alegações carecem de respaldo científico e podem representar riscos à saúde dos pacientes.

Entendendo a soroterapia

Comumente chamada de terapia nutricional endovenosa, a soroterapia envolve a administração de líquidos que contêm substâncias como vitaminas, minerais e aminoácidos diretamente na corrente sanguínea. Essa abordagem é geralmente utilizada para tratar deficiências nutricionais identificadas por um profissional de saúde.

A infusão intravenosa é uma prática consolidada em ambientes hospitalares, onde pacientes podem necessitar de hidratação e reposição de nutrientes. No entanto, a comercialização da soroterapia como um tratamento estético levanta preocupações.

“É crucial distinguir entre a terapia intravenosa médica, que tem indicações bem definidas, e seu uso como uma solução geral para bem-estar”, afirma Sandra Fernandes, nutróloga da Kora Saúde.

Riscos e evidências científicas

Os especialistas consultados concordam que indivíduos saudáveis, com uma dieta equilibrada, não devem esperar benefícios significativos ao receber vitaminas por via intravenosa. O corpo humano possui mecanismos eficientes para absorver nutrientes por via oral, e a administração excessiva de vitaminas pode não trazer efeitos adicionais.

“Os relatos positivos são muitas vezes baseados em percepções subjetivas e não em estudos clínicos rigorosos”, explica Lizanka Marinheiro, endocrinologista do IFF/Fiocruz. Ela também alerta que o excesso de substâncias pode ser eliminado pelo organismo, sem proporcionar os benefícios prometidos.

Embora existam situações clínicas em que a administração intravenosa de nutrientes seja necessária, como em casos de desnutrição grave ou síndromes de má absorção, essas situações são específicas e devem ser tratadas com cautela.

A soroterapia, por outro lado, pode apresentar riscos, como infecções, reações alérgicas e alterações nos níveis de eletrólitos. A gerente de marketing Soraia Dias, 54 anos, teve uma experiência negativa após uma sessão, sentindo tontura e formigamento, que a levou a um pronto-socorro.

“A infusão durou cerca de 10 minutos e logo me senti mal. Fui orientada a aumentar a hidratação e fiquei em observação”, conta Soraia. Segundo Marinheiro, a rápida elevação de substâncias no sangue pode levar a toxicidade, evidenciando os perigos desse tipo de procedimento.

A discussão sobre a soroterapia e suas implicações enfatiza a importância de uma avaliação médica criteriosa antes de se submeter a tratamentos que prometem benefícios estéticos e de saúde.