A Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona a relevância da saúde mental dos atletas, com jogadores como Neymar, 34, destacando a importância de buscar apoio psicológico em momentos desafiadores. Essa discussão está ganhando cada vez mais espaço no contexto do esporte de alto rendimento.

De acordo com especialistas, o suporte psicológico não é mais visto apenas como um recurso para momentos críticos, mas sim como parte fundamental da preparação de atletas que enfrentam pressão constante.

Pressão da Copa exige preparo além da parte física

Segundo Ticiana Paiva, doutora em Psicologia e responsável pelo setor de Psicologia da Starbem, participar de uma Copa do Mundo envolve muito mais do que desafios físicos. Ela afirma que "representar um país envolve carregar expectativas de milhões de pessoas", e mesmo atletas com experiência não estão imunes à pressão, que se transforma ao longo do tempo.

A especialista alerta que essa pressão pode levar os jogadores a um estado de alerta constante, caracterizado por medo de falhar, autocobrança excessiva e dificuldades para relaxar. Isso pode afetar habilidades essenciais para o desempenho, como concentração, tomada de decisão e qualidade do sono.

Apesar dos avanços na aceitação da terapia no futebol, Ticiana observa que ainda há resistência. "Buscar ajuda psicológica foi, por muito tempo, associado à fragilidade. Felizmente, esse panorama está mudando, especialmente com atletas de elite falando abertamente sobre ansiedade e depressão", diz.

Como a terapia ajuda no desempenho dos jogadores

A psicóloga enfatiza que a ideia de que um atleta deve sempre demonstrar força é equivocada. "Ser forte não significa não sentir medo ou dor. A força psicológica está mais relacionada ao reconhecimento e processamento das próprias emoções", explica.

Ela destaca que a terapia auxilia os jogadores a desenvolver autoconhecimento, lidar com críticas, reduzir a ansiedade e enfrentar as consequências emocionais de erros, derrotas e lesões. Além do acompanhamento clínico, a Psicologia do Esporte também foca em habilidades como foco, controle emocional e resiliência.

Técnicas como visualização, exercícios de respiração e rotinas pré-jogo são ferramentas que ajudam os atletas a manter a estabilidade emocional em momentos decisivos.

Além disso, o suporte psicológico permite estabelecer limites saudáveis em relação às críticas nas redes sociais e fortalece a identidade do jogador além do desempenho esportivo.

Saúde mental também faz parte da alta performance

Ticiana afirma que o acompanhamento psicológico pode melhorar o desempenho esportivo. "A psicologia não ensina a vencer, mas minimiza as interferências emocionais que afetam o desempenho. No alto rendimento, o diferencial muitas vezes está na capacidade de manter a confiança e a clareza sob pressão", ressalta.

Sobre o aumento de casos de ansiedade e depressão entre atletas, a especialista destaca que cuidar da saúde mental deve ser tratado com a mesma importância que o cuidado físico. "Performance sem cuidado tem um custo alto. Todos entendem que um músculo lesionado precisa de tratamento, mas é preciso normalizar que a mente também precisa de atenção", conclui.

Ela finaliza com uma mensagem para atletas e torcedores: "Pedir ajuda não diminui a força. Antes de serem ídolos, os jogadores são seres humanos. Nenhuma vitória vale a perda de si mesmo".