A cidade de El-Obeid, situada em Kordofan do Norte, desponta como o próximo grande front no conflito armado do Sudão. Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU, juntamente com várias nações europeias e os Estados Unidos, expressaram preocupações sobre "o risco iminente de massacres" à medida que um número crescente de tropas das Forças de Apoio Rápido (RSF) se concentra ao redor da cidade, atualmente sob controle das Forças Armadas Sudanenses (SAF).

O conflito no Sudão teve início em abril de 2023, após um desentendimento entre os generais rivais Abdel Fattah al-Burhan, das SAF, e Mohamed Hamdan Dagalo, das RSF. Desde então, a luta dividiu o país entre áreas dominadas pelo exército e regiões controladas pelas RSF, especialmente em Darfur e no sul do Sudão.

El-Obeid, com cerca de 500 mil habitantes, é um ponto estratégico, servindo como um importante hub logístico e base militar. Hager Ali, pesquisadora do GIGA Institute for Global and Area Studies, destacou que a cidade é vital para o comércio e movimentação de tropas, o que a torna um alvo desejado pelas RSF.

A utilização de drones pelas facções tem gerado um número alarmante de vítimas civis. Segundo a ONU, mais de 1.000 civis foram mortos em ataques aéreos entre janeiro e maio de 2026. A chegada da temporada de chuvas pode complicar ainda mais as operações aéreas.

O porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que não se deve permitir que os horrores vividos em el-Fasher se repitam em El-Obeid. Kenneth Roth, ex-diretor da Human Rights Watch, expressou sua preocupação de que as RSF continuem a perpetrar atrocidades caso consigam tomar a cidade.

Enquanto isso, Amgad Fareid Eltayeb, assessor do Conselho Soberano de Transição do Sudão, alertou sobre a repetição do padrão de violência observado anteriormente. A comunidade internacional é instada a tomar medidas mais rigorosas, incluindo sanções, para evitar novos massacres.