Beneficiado por fatores externos e pela inflação abaixo do esperado, o mercado financeiro brasileiro apresentou um desempenho positivo na última sexta-feira (10). A bolsa avançou quase 3%, atingindo o maior nível desde maio, enquanto o dólar caiu pela terceira sessão consecutiva, fechando na faixa de R$ 5,10.
O principal responsável por esse desempenho foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a junho. Os dados mostraram uma inflação de 0,16%, abaixo das expectativas do mercado, reforçando as perspectivas de novos cortes na taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia.
Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa encerrou o pregão com uma alta de 2,97%, alcançando 177.866,37 pontos, o maior fechamento desde 14 de maio. O índice completou a terceira semana consecutiva de valorização, acumulando um ganho de 2,18% na semana, 3,40% em julho e 10,39% no ano. O volume financeiro negociado foi de R$ 24,99 bilhões.
Entre os 79 papéis que compõem o índice, apenas um registrou queda. O bom desempenho foi impulsionado pela desaceleração da inflação, que caiu de 0,58% em maio para 0,16% em junho. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,64%. Esse resultado fortalece as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa reduzir a taxa Selic na reunião de agosto, o que tende a beneficiar o mercado acionário.
Dólar e petróleo em queda
O dólar à vista caiu R$ 0,014 (-0,31%), encerrando a sessão cotado a R$ 5,108, o menor fechamento desde 16 de junho. Durante o dia, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,098. Essa foi a terceira queda consecutiva do dólar, que acumula uma desvalorização de 1,18% na semana, 1,06% em julho e 6,94% no acumulado do ano.
Além da reação ao IPCA, o real também se beneficiou do fortalecimento das moedas de outros países emergentes, em um cenário de maior apetite dos investidores por ativos de risco, apesar das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Os preços internacionais do petróleo também fecharam em queda pelo segundo pregão consecutivo. O barril do tipo Brent recuou 0,38%, encerrando cotado a US$ 76,01, embora tenha acumulado uma valorização de 5,39% na semana. O barril do tipo WTI caiu 0,93%, para US$ 71,41.
O mercado continua a monitorar a situação no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que transporta cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Apesar de uma diminuição no fluxo de navios devido a ataques, a rota permanece aberta, o que alivia os temores de interrupções mais severas na oferta global.
Os investidores também seguem atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã, que influenciam as expectativas sobre os preços da commodity nas próximas semanas.
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