Ao final do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida pública bruta do Brasil em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) terá a segunda maior alta entre os países do G20. O país, que só perde para a China nessa lista, também se destaca negativamente em comparação a outras economias emergentes, como África do Sul, México e Argentina, que conseguiram controlar melhor sua dívida.
Dados indicam que o endividamento do Brasil deverá aumentar de 83,9% do PIB em 2022 para 96,5% do PIB em dezembro de 2026, o que representa um crescimento de 12,6 pontos percentuais. Na China, a elevação projetada é de 29,6 pontos percentuais.
Essas informações foram coletadas pelo Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, que é um órgão de estudos e formulação de políticas públicas do PSDB. A pesquisa utiliza dados do FMI referentes aos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025.
Situação atual da dívida pública
A situação da dívida brasileira é considerada a pior desde a crise econômica de 2015 e 2016, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Naquele período, a dívida bruta do Brasil saltou de 61,6% para 77,4% do PIB, conforme dados do FMI. A tendência é de que essa situação continue, com projeções do FMI indicando que a dívida deverá aumentar de 96,5% para 105,5% do PIB nos próximos quatro anos, totalizando um incremento de 9 pontos percentuais.
Metodologia de cálculo da dívida
É importante destacar que o FMI utiliza uma metodologia de cálculo que difere da adotada pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central (BC). Segundo o padrão nacional, a alta da dívida brasileira durante o terceiro mandato de Lula será de 11,9 pontos percentuais, passando de 71,7% do PIB em 2022 para 83,6% do PIB em dezembro de 2026, conforme projeções contidas no PLDO 2027.
As três instituições mencionadas utilizam metodologias distintas para medir a dívida pública. O FMI considera todos os passivos do governo geral, enquanto o BC exclui alguns ativos e passivos específicos. O Tesouro Nacional, por sua vez, contabiliza apenas a dívida pública federal, que representa apenas uma parte da dívida total do setor público.
Comparação com países da OCDE
Ao se analisar os 38 países que compõem a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a escalada da dívida do Brasil é apenas superada pela Finlândia, que apresenta um aumento de 19,1 pontos percentuais, e pela Polônia, com 16,9 pontos percentuais.
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