Durante uma sabatina realizada nesta terça-feira (7), o pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), condenou a atuação do senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, classificando-a como "inaceitável".

O encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, ocorreu em maio, na Casa Branca. Poucos dias após a reunião, o governo norte-americano anunciou o aumento das tarifas, gerando críticas e questionamentos sobre a postura do senador brasileiro. Ao ser indagado se considerava essa situação uma "traição à pátria", Caiado respondeu:

"Isso [a legislação sobre traição à pátria] existe em todos os países democráticos, isso não é nenhuma regra nova, não! Isso aí, é você conspirar contra a economia do país. Tem uma legislação antidumping e não aplica", afirmou.

A questão da traição à pátria foi levantada por Zeca Martins, mediador do debate, que mencionou a falta de uma legislação específica a respeito, conforme discutido com o jurista Miguel Reale Jr. Atualmente, apenas o Código Penal Militar aborda o tema, aplicável somente em tempos de guerra, enquanto o Código Penal Civil trata do atentado à soberania nacional em artigos específicos.

De acordo com a legislação, "entrar em entendimento com país estrangeiro, ou organização nele existente, para gerar conflito ou divergência de caráter internacional entre o Brasil e qualquer outro país" pode ser caracterizado como crime.

Além de criticar Flávio Bolsonaro, Caiado também avaliou a atuação do Itamaraty em relação ao tarifaço. Ele argumentou que o órgão tem deixado de cumprir seu papel, afirmando:

"Passou a ser política de ideologia ao invés de ser política de estado. Esta é a verdade".

Pouco antes do início da sabatina, Caiado conversou com a imprensa e expressou sua preocupação sobre o pedido de adiamento das tarifas até depois das eleições, afirmando que isso criaria um "falso positivo" para a população. "Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral. Nós não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!", destacou.

Nesta mesma terça-feira (7), Flávio Bolsonaro participou de uma audiência nos Estados Unidos, onde defendeu o cancelamento das tarifas impostas ao Brasil. A audiência faz parte de uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, que avalia se as políticas do Brasil prejudicam os interesses comerciais dos EUA.