Um grupo de parlamentares britânicos afirmou que a comparação de pagamentos de empréstimos estudantis a contratos de telefone ou ingressos de cinema constituiu uma 'venda enganosa' por parte do governo. A declaração foi feita em um novo relatório do Comitê do Tesouro.
O documento também destacou que os estudantes não foram informados claramente sobre a possibilidade de alterações retrospectivas nas condições dos empréstimos. Os parlamentares pediram uma reversão na decisão de congelar o teto de renda a partir do qual alguns graduados começam a pagar seus empréstimos.
No ano passado, a Chanceler do Tesouro, Rachel Reeves, anunciou que o limite de pagamento para estudantes com empréstimos do Plano 2 seria congelado em £29.385 entre 2027 e 2030, ao invés de ser ajustado pela inflação.
Tanto o governo quanto a Student Loans Company reconheceram que o relatório do comitê fez 'uma contribuição importante' para o debate sobre financiamento estudantil. Um porta-voz da Student Loans Company afirmou que a instituição 'reconhece a importância de garantir que estudantes e mutuários tenham acesso a informações claras, precisas e oportunas sobre as finanças estudantis'.
Um porta-voz do governo declarou que os ministros já estão 'tomando medidas decisivas' e continuarão buscando formas de tornar o sistema mais justo para estudantes, graduados e contribuintes de maneira financeiramente sustentável.
Impacto do congelamento do teto de renda
Os empréstimos do Plano 2 foram contratados por estudantes da Inglaterra entre setembro de 2012 e julho de 2023, e ainda são disponibilizados no País de Gales. Os graduados pagam automaticamente 9% do que ganham acima do teto de pagamento. Congelar esse teto significa que os graduados começam a pagar seus empréstimos mais cedo ou pagam mais à medida que seus salários aumentam com a inflação, enquanto o teto permanece o mesmo.
O relatório do comitê mencionou uma investigação da BBC que revelou que o governo comparou os pagamentos de empréstimos estudantis a contratos de telefone de £30 por mês em apresentações promocionais para adolescentes há uma década. Como essa comparação era 'inexata para os de maior renda', isso constituiu 'venda enganosa', segundo o relatório.
Opiniões sobre o sistema de empréstimos estudantis
Oliver Gardner, fundador do grupo de campanha Rethink Repayment, afirmou que a investigação concluiu 'o que sabemos há anos'. Ele descreveu o sistema de empréstimos estudantis como 'injusto, insustentável e urgentemente necessitando de reforma'.
Lewis Wilson, do National Union of Students, comentou que a próxima administração trabalhista poderia implementar 'soluções imediatas' ao elevar o teto de pagamento e reduzir a taxa de reembolso, mas destacou a necessidade de uma 'reforma fundamental' nos próximos anos.
Laura-May Nardella, graduada de Cambridge, recordou que, quando era adolescente, suas futuras obrigações de pagamento foram comparadas a um contrato de telefone. Hoje, aos 31 anos, suas parcelas mensais totalizam centenas de libras. 'Se eu olhar para meus pagamentos de 2025, já paguei mais de £3.000', afirmou. 'Isso não é uma conta de telefone. Isso equivale a três celulares novos.'
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