A expectativa de vida dos americanos aumentou significativamente desde a fundação do país. Enquanto a média era de cerca de 40 anos nos primeiros 100 anos de existência, após 1880, avanços em medicina e saúde pública elevaram essa média para aproximadamente 79 anos atualmente.
O professor de Direito e História da Universidade de Yale, Samuel Moyn, analisa as consequências desse fenômeno em seu novo livro, intitulado "Gerontocracia na América: Como os Velhos Acumulam Poder e Riqueza—E o Que Fazer Sobre Isso". Ele argumenta que o que chama de "grande envelhecimento" transformou os Estados Unidos em uma sociedade onde os mais velhos detêm uma quantidade desproporcional de poder político e riqueza, restringindo oportunidades para as gerações mais jovens.
O controle dos mais velhos na política e na economia
De acordo com Moyn, a idade média dos membros do Congresso é superior a 60 anos, enquanto a média dos eleitores é de 52 anos. Em algumas campanhas, a média de idade dos doadores chega a 70 anos. Além disso, os trabalhadores com mais de 55 anos representam quase um quarto da força de trabalho, um aumento significativo em relação a 10% em 1990.
O autor destaca que a riqueza e a propriedade de imóveis estão cada vez mais concentradas entre os mais velhos. "Se os americanos merecem uma sociedade voltada para a inovação e resolução de problemas, que capacite os jovens a entrarem na vida adulta, o país está indo na direção errada", afirma Moyn.
Propostas para uma mudança de paradigma
O livro de Moyn sugere várias estratégias para reverter o controle dos mais velhos, incluindo a obrigatoriedade do voto, aumento do financiamento público para eleições e reavaliação de benefícios fiscais relacionados à idade. Ele também propõe a implementação de um modelo mais socialista de cuidado para os idosos, que poderia ajudar a aliviar a ansiedade em torno do envelhecimento, incentivando os mais velhos a se aposentarem e liberarem empregos para os jovens.
Em uma conversa com o Yale News, Moyn expressou sua preocupação com a alienação dos eleitores mais jovens sob a gerontocracia. Ele menciona que estudantes universitários, incluindo suas próprias filhas, se sentem desiludidos em relação ao sistema político, o que reflete uma tendência mais ampla entre a Geração Z.
Sobre a necessidade de mais jovens na política, Moyn defende que, embora seja importante mobilizar candidatos e eleitores mais jovens, também é necessário considerar a redução do peso do voto dos mais velhos nas eleições. "A proposta é considerar que o valor do voto pode ser maior para aqueles que terão mais tempo para viver sob as políticas escolhidas", sugere.
O debate sobre a relação entre idade e riqueza também é abordado, com Moyn enfatizando que, em 2019, os americanos com mais de 54 anos detinham quase 72% da riqueza do país. Ele argumenta que a questão da riqueza não deve ser vista apenas sob a ótica da oligarquia, mas deve considerar também o fator etário, ressaltando que a gerontocracia é uma nova faceta da desigualdade existente.
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