O futuro primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, se depara com uma situação financeira complicada enquanto se prepara para assumir o governo. A economia do Reino Unido está sendo impactada por um choque energético global, mercados de títulos voláteis e crescentes demandas de gastos públicos.

Burnham, que se comprometeu a seguir as regras fiscais atuais do Partido Trabalhista e a manter a consistência com o manifesto de 2024, terá um início desafiador. A posição fiscal que ele poderá assumir foi delineada na declaração do chanceler em março, onde a deputada Rachel Reeves deixou um espaço de £23,6 bilhões para manobra em relação à exigência primária de equilibrar os gastos diários com as receitas em um prazo de cinco anos.

Pressões econômicas e orçamentárias

No entanto, desde então, a guerra no Irã e o aumento dos custos de empréstimos do governo, juntamente com o plano de investimento em defesa de Keir Starmer, provavelmente reduziram esse espaço financeiro. O primeiro-ministro em exercício anunciou recentemente £15 bilhões em gastos adicionais em defesa ao longo de quatro anos, mas não forneceu detalhes completos sobre como esses gastos serão financiados.

De acordo com o Tesouro, £10,3 bilhões serão obtidos por meio da “realoção orçamentária” entre os departamentos do governo. Contudo, muitas decisões sobre como esses orçamentos serão alterados ainda não foram tomadas, o que representa um desafio para o novo primeiro-ministro. Ademais, outros £4,7 bilhões precisarão ser encontrados no orçamento de outono, resultando em um déficit de cerca de £1,2 bilhão por ano.

Impactos da guerra e reações do mercado

Apesar das dificuldades, a nova despesa pode ser coberta sem violar as regras fiscais estabelecidas. A avaliação desse cenário ficará a cargo do Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR), que considerará uma variedade de fatores que influenciam as finanças públicas, além dos custos adicionais do plano de defesa de Starmer.

A guerra no Irã, que elevou a inflação e impactou o crescimento econômico, é um dos principais fatores a serem considerados. Embora o Tesouro esteja previsto para informar Burnham em breve que os danos causados pela guerra foram menores do que o inicialmente temido, ainda há incertezas. A Capital Economics havia estimado que a guerra poderia eliminar £10 bilhões do espaço de £23,6 bilhões, mas agora espera que a avaliação do OBR não sofra grandes mudanças, após a queda nos preços globais do petróleo e nos rendimentos dos títulos.

A margem de manobra de Burnham também dependerá da resposta do Banco da Inglaterra e de sua capacidade de evitar uma reação negativa nos mercados de títulos. Os investidores da City estão atentos à escolha do novo chanceler.

Ainda assim, o governo enfrentará o desafio de financiar qualquer despesa adicional relacionada ao suporte energético emergencial e novas políticas que Burnham desejar implementar. Nesse contexto, analistas do banco suíço UBS indicam que uma questão-chave será se o novo primeiro-ministro precisará considerar aumentos de impostos no orçamento de outono.