Cerca de 3.000 pessoas foram evacuadas na região sudoeste da França, após a declaração de alerta do primeiro-ministro Sebastien Lecornu sobre o início precoce de incêndios florestais, em meio a uma onda de calor que quebrou recordes históricos.

Os incêndios começaram na quinta-feira, na cidade de Sainte-Marie-la-Mer, e rapidamente se espalharam para Canet-en-Roussillon. As chamas, que se iniciaram em um acampamento, destruíram dezenas de casas móveis antes de avançar para a área da marina, onde uma densa fumaça tóxica envolveu as embarcações.

De acordo com os bombeiros, aproximadamente 3.000 pessoas foram evacuadas, com metade delas oriundas de três acampamentos na área afetada. Pierre Regnault de La Mothe, autoridade regional do departamento dos Pireneus Orientais, informou que dois bombeiros sofreram ferimentos leves durante os combates contra o fogo.

Para combater as chamas, foram mobilizados cerca de 200 bombeiros e quatro helicópteros equipados para lançamentos de água. O prefeito da região declarou que estão sendo mobilizados uma grande rede de voluntários para ajudar nas operações.

Onda de calor e seus efeitos

Em junho, a França enfrentou uma onda de calor recorde que durou 11 dias, com temperaturas superando 40°C em diversas localidades. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, essa onda de calor teve “impactos significativos” na saúde humana, nos ecossistemas, na agricultura e na infraestrutura, além de aumentar o risco de incêndios florestais.

Alguns políticos franceses criticaram o que consideram medidas inadequadas do governo para enfrentar o aumento das temperaturas. Na quinta-feira, os Verdes apresentaram uma moção de desconfiança contra o governo de Lecornu.

Incêndios em ascensão

Durante uma reunião de crise na cidade de Marselha, Lecornu afirmou que os “eventos climáticos” contribuíram para o início “bastante severo” e incomumente precoce dos incêndios florestais. Ele destacou que esses incêndios estão ocorrendo aproximadamente 15 dias a três semanas antes do período habitual.

Desde o início da temporada, foram registrados 7.000 incêndios florestais, com 8.700 hectares já consumidos pelas chamas. O primeiro-ministro ressaltou que a intensidade e o início precoce dos incêndios exigirão “muita resistência” tanto das autoridades quanto dos bombeiros mobilizados.

Na quarta e quinta-feira, cerca de 2.000 bombeiros, incluindo voluntários e militares, foram mobilizados. O maior incêndio registrado até agora, que começou na quarta-feira nos departamentos de Aude e Hérault, continuou a se espalhar, impulsionado pelo vento, já tendo queimado cerca de 900 hectares.

As condições climáticas permanecem desfavoráveis, com rajadas de vento alcançando 70 km/h, e a previsão do tempo indica que uma nova onda de calor deve atingir o país na próxima semana, embora não se espere que seja tão extrema quanto a de junho.