Empresas da Alemanha estão ampliando suas operações no exterior, afetando diretamente o mercado de trabalho local. A Gardena, fabricante de ferramentas de jardinagem com sede em Ulm, anunciou a intenção de cortar 250 empregos na Alemanha e transferir parte de suas operações para a República Tcheca, o que representa uma redução de 10% de sua força de trabalho no país. Além disso, a Basf, uma das maiores multinacionais do setor químico, pretende transferir funções de serviços para a Índia, o que também pressiona os postos de trabalho em sua unidade de Berlim.

Esse movimento de transferências de operações não é uma novidade. Segundo a revista digital Finanzmarktwelt, a crise industrial na Alemanha tem avançado rapidamente, com dados do Destatis (Departamento Federal de Estatística) indicando que cerca de 1.300 empresas com mais de 50 funcionários transferiram funções para o exterior entre 2021 e 2023, o que corresponde a 2,2% de todas as empresas desse porte no país.

Impacto no emprego e mudanças nas tendências

Essas transferências resultaram na perda de aproximadamente 50.800 empregos na Alemanha, gerando preocupações sobre a continuidade dessa tendência, especialmente devido aos altos custos de energia e mão de obra no país. Entretanto, o banco estatal de desenvolvimento KfW observa uma mudança nas dinâmicas. Em junho, um relatório indicou que muitas empresas de médio porte estão reduzindo sua presença internacional, com o número de empresas atuando no exterior caindo de cerca de 880 mil em 2022 para 760 mil em 2023.

Dirk Schumacher, economista-chefe do KfW, atribui essa mudança a tensões geopolíticas, à concorrência crescente da China e à política comercial protecionista dos Estados Unidos, o que deteriora as condições gerais para o comércio exterior.

Visões divergentes sobre o futuro dos investimentos

A DIHK (Associação das Câmaras de Comércio e Indústria Alemãs) oferece uma perspectiva diferente. Segundo um estudo sobre o clima de negócios realizado no início de 2026, Sven Ehling, porta-voz da DIHK, destacou que as pressões de custos na indústria atingiram níveis recordes, levando 43% das empresas industriais a planejar investimentos no exterior, um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Tradicionalmente, os investimentos no exterior fortaleciam as operações internas, mas agora a pesquisa indica que a motivação principal para investir fora é a redução de custos, o que muitas vezes resulta em cortes significativos nas unidades domésticas. O professor Steffen Müller, do IWH, ressalta que os investimentos diretos de empresas alemãs no exterior estão bem abaixo dos níveis máximos, com projeções para 2024 e 2025 indicando um fluxo de capital reduzido.

Mudanças nos destinos preferenciais dos investimentos

A pesquisa também revela uma mudança nas preferências de destinos para investimentos. A América do Norte está perdendo atratividade, com a proporção de empresas alemãs que planejam investir na região caindo de 48% para 44%. Em contrapartida, a participação de empresas que investem na China aumentou de 31% para 34%, enquanto a região Ásia-Pacífico (excluindo a China) cresceu de 21% para 26%.

Além disso, a Zona do Euro permanece como a região mais importante para investimentos de empresas alemãs, representando 64% das intenções de investimento, devido à sua estabilidade e condições de mercado confiáveis, especialmente em tempos de incerteza geopolítica.