Uma pesquisa realizada pela Universitat Rovira i Virgili (URV) revelou que refeições prontas à base de peixe e frutos do mar podem absorver contaminantes químicos durante o processamento e a embalagem. O estudo, publicado na revista Analytical and Bioanalytical Chemistry, analisou pela primeira vez a presença de uma ampla gama de substâncias químicas em pratos prontos à venda em Tarragona, na Espanha.

A equipe de pesquisa investigou 29 compostos pertencentes a cinco famílias químicas, incluindo ftalatos, organofosforados, benzotiazóis e fragrâncias sintéticas. A maioria desses contaminantes foi detectada em pelo menos uma amostra analisada. Os ftalatos foram os contaminantes mais comuns, especialmente em duas amostras de pratos de pescada, enquanto os organofosforados foram mais frequentes em mexilhões.

Contaminantes e avaliação de risco

Apesar da presença desses contaminantes, a avaliação de risco realizada pelos pesquisadores concluiu que os níveis detectados não representam um risco significativo à saúde. O estudo avaliou 18 produtos comerciais, que eram prontos, frescos, refrigerados ou congelados, feitos com algumas das espécies mais consumidas na Catalunha, como lula, salmão, mexilhões, camarões, sardinhas, pescada e bacalhau.

Os 29 compostos analisados são utilizados em diversas aplicações industriais e de consumo, incluindo plásticos, materiais de embalagem, têxteis, tintas e produtos de limpeza. Alguns desses contaminantes podem entrar no ambiente aquático e se acumular em organismos marinhos, além de migrar para os alimentos a partir de materiais de embalagem, especialmente durante o armazenamento e o aquecimento.

Influência da espécie e do teor de gordura

A pesquisa também examinou se o teor de gordura das espécies influenciava a presença desses compostos. Os organofosforados, almizcles sintéticos e benzenossulfonamidas foram encontrados em concentrações mais elevadas em espécies com maior teor lipídico, o que é consistente com a tendência desses compostos de se acumularem em tecidos gordurosos. Por outro lado, os ftalatos foram mais abundantes em espécies com menor teor de gordura, especialmente em pratos de pescada.

Para estimar a exposição da população, a equipe de pesquisa calculou a ingestão potencial desses compostos em seis grupos populacionais: homens e mulheres adultos; meninos e meninas de 10 a 19 anos; e homens e mulheres com mais de 65 anos. Os homens mais velhos apresentaram a maior exposição, principalmente porque, de acordo com os dados de consumo utilizados no estudo, foram os que mais ingeriram peixe e frutos do mar.

Os pesquisadores ressaltam que, apesar dos contaminantes encontrados, os níveis estavam bem abaixo dos limites considerados preocupantes. O estudo conclui que os compostos químicos analisados estão presentes em refeições prontas à base de frutos do mar vendidas em Tarragona, mas que o processamento e a embalagem podem influenciar os níveis detectados, sem, no entanto, representar um risco significativo à saúde humana.