Os Estados Unidos e o Irã intensificaram seus ataques, marcando o segundo dia de hostilidades que ameaçam a frágil trégua estabelecida anteriormente. A escalada ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que o cessar-fogo estava "acabado".
Na quarta-feira, o comando militar dos EUA informou que os ataques tinham como alvo a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os bombardeios norte-americanos atingiram aproximadamente 90 alvos militares, incluindo locais de armazenamento de mísseis e drones, além de centros logísticos ao longo da costa iraniana.
Retaliação e resposta militar
Trump, em uma postagem na sua plataforma Truth Social, descreveu os ataques como uma "retribuição" pelos bombardeios de navios realizados pelo Irã, advertindo que se houver mais ataques, as consequências serão severas. Os recentes bombardeios dos EUA foram uma resposta a ataques iranianos a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, que ocorreram um dia antes.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou ter atacado instalações chave em bases militares dos EUA em Arifjan e Ali Al Salem no Kuwait, além de Juffair e Sheikh Isa em Bahrein. O exército iraniano também afirmou ter mirado em um sistema de mísseis Patriot no Kuwait, uma antena de satélite no Catar e depósitos de combustível militar dos EUA em Bahrein.
Em resposta, o Ministério da Defesa do Kuwait informou que estava interceptando mísseis e drones, enquanto o Catar emitiu um alerta de "ameaça de segurança elevada".
Memorando de Entendimento em risco
A troca de ataques pode comprometer o memorando de entendimento (MoU) firmado no mês passado, que visava prorrogar um cessar-fogo iniciado em abril e reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz para a navegação. O MoU foi resultado de mediações realizadas por Paquistão e Catar e teve como foco questões complexas, como o futuro do programa nuclear iraniano e o acesso a bilhões de dólares de fundos iranianos congelados.
Desde que os ataques dos EUA e de Israel iniciaram um conflito em fevereiro, o Irã bloqueou efetivamente o estreito, ameaçando atingir embarcações que não sigam suas rotas autorizadas. De acordo com Al Jazeera, a situação entre os dois países é uma espécie de impasse, onde os EUA não aceitam que o Irã controle o estreito, enquanto Teerã considera esse controle essencial para sua posição nas negociações.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que todas as partes exerçam a máxima contenção, um apelo que também foi reforçado pelo Paquistão. O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enfatizando a importância do diálogo para resolver as questões regionais.
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