Um tribunal federal dos Estados Unidos decidiu arquivar os casos de conspiração sediciosa contra quatro integrantes do grupo de direita Proud Boys, que participaram do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. A decisão foi tomada na última sexta-feira, quando o juiz Timothy J. Kelly, nomeado por Donald Trump, acatou o pedido do governo para encerrar o caso com prejuízo, o que impede sua reabertura no futuro.

Em sua decisão, Kelly enfatizou que os réus — Ethan Nordean, Joseph Biggs, Zachary Rehl e Dominic Pezzola — haviam sido “condenados por ofensas graves”. No entanto, o juiz destacou que sua decisão se baseou na separação dos poderes do governo, e não nos méritos do caso. “Como o Tribunal já afirmou várias vezes, o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 foi um evento perigoso. Foi um ataque a pessoas, incluindo policiais, muitos dos quais ficaram feridos”, escreveu Kelly.

Contexto do ataque ao Capitólio

O ataque ao Capitólio ocorreu logo após Trump perder a eleição de 2020 para Joe Biden. Na sequência de sua derrota, Trump fez alegações infundadas de que a eleição havia sido fraudada. O dia 6 de janeiro foi marcado pela certificação dos votos do Colégio Eleitoral, um passo crucial que confirmava a derrota de Trump. O então vice-presidente, Mike Pence, tinha um papel cerimonial na supervisão dessa certificação, mas Trump o pressionou para rejeitar os resultados.

Durante um comício intitulado “Salve a América”, realizado na frente da Casa Branca, Trump afirmou repetidamente que havia vencido a eleição “por uma grande margem”. Após o comício, seus apoiadores marcharam até o Capitólio, onde invadiram o prédio, atacando policiais e causando danos significativos. O ataque resultou em mortes, incluindo a de uma manifestante que foi baleada pela polícia e um oficial que morreu após ser agredido.

Ação do governo Biden e defesa de Trump

Com a administração Biden, o Departamento de Justiça abriu processos criminais contra quase 1.600 indivíduos envolvidos no ataque. Trump, por sua vez, defendeu os manifestantes e descreveu sua condenação como uma “injustiça nacional”. Ele também enfrentou duas acusações criminais relacionadas a tentativas de subverter os resultados eleitorais, que foram retiradas após sua reeleição em 2024.

Trump chamou as condenações de 6 de janeiro de exemplo de “armação” do governo e prometeu anistiar os réus durante sua campanha para a presidência. Cumprindo essa promessa, ele assinou uma ordem executiva no primeiro dia de seu segundo mandato, em 20 de janeiro de 2025, concedendo perdão a muitos dos envolvidos no ataque ao Capitólio. O juiz Kelly, ao decidir o arquivamento do caso, mencionou essa sequência de eventos, embora tenha expressado ceticismo em relação às decisões do governo.

“O Tribunal concederá a moção porque não há fundamentos para impedir o governo de arquivar o caso com prejuízo”, concluiu Kelly, ressaltando a importância de proteger a democracia americana de futuros ataques.