O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a conversão da prisão preventiva do pastor Márcio Poncio para prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, conforme informado pelo g1.

Poncio foi detido pela Polícia Federal em 2 de julho durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de pagamentos relacionados ao jogo do bicho e à máfia do cigarro envolvendo agentes públicos.

Na decisão, Moraes fundamentou a mudança para prisão domiciliar com base na condição de saúde do pastor, que sofre de retocolite ulcerativa grave e já passou por cirurgia para a retirada do intestino grosso e do reto, necessitando de tratamento contínuo. O ministro também considerou a gravidez de alto risco da esposa do investigado.

Além da tornozeleira eletrônica, a decisão impõe outras restrições ao pastor, como a entrega de seus passaportes e a suspensão de documentos de posse de arma. Moraes ainda proibiu Poncio de usar seu perfil no Instagram e de manter contato com outros investigados no caso.

Quem é Márcio Poncio

Márcio Poncio, de 52 anos, é pastor na Igreja da Nuvem e possui 514 mil seguidores no Instagram. É pai do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K, e da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ).

Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, em 1973, ele ganhou notoriedade por sua atuação no ramo do tabaco e por compartilhar o cotidiano da família nas redes sociais. A família Poncio ganhou destaque na internet a partir de 2018, quando polêmicas sobre relacionamentos dos filhos se tornaram virais.

Recentemente, em 2026, Poncio voltou a ser assunto ao anunciar a gravidez de sua esposa, Simone, aos 50 anos, após ter realizado vasectomia aos 28 anos e ter engravidado por meio de fertilização in vitro.

Operação Unha e Carne

A Operação Unha e Carne, que teve outras quatro fases entre dezembro de 2025 e maio de 2026, investiga conexões entre agentes públicos e organizações criminosas. A atual fase foi desencadeada a partir da análise de documentos que indicaram uma contabilidade paralela voltada à lavagem de dinheiro, além de registros de pagamentos indevidos e doações eleitorais irregulares.

Esta investigação está relacionada à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que estabelece diretrizes para operações de segurança pública em comunidades do Rio de Janeiro. Além de Poncio, mandados de prisão foram emitidos contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ).