A candidata de direita Keiko Fujimori foi oficialmente declarada vencedora da eleição presidencial no Peru, quase um mês após a realização da votação em 7 de junho. Ela obteve 50,135% dos votos, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez recebeu 49,865%, uma diferença de menos de 50 mil votos, conforme os dados certificados pelo tribunal eleitoral peruano.

Quarta tentativa e promessas de combate ao crime

Esta é a quarta vez que Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tenta conquistar a presidência do país sul-americano. Nesta campanha, ela prometeu um rigoroso combate ao crime organizado. Em sua declaração após a vitória, Fujimori afirmou que assumirá a presidência "com responsabilidade, humildade e um profundo senso de dever". Ela enfatizou a importância do diálogo e da escuta durante o período de transição, reconhecendo a fragilidade de seu mandato.

Contestações eleitorais e contexto político

Roberto Sánchez, de 57 anos, alegou que a eleição de segundo turno foi "seriamente comprometida" e ameaçou tomar medidas legais, argumentando que o apoio significativo a Fujimori entre os peruanos no exterior indicava irregularidades. Após a declaração dos resultados na sexta-feira, seu partido recorreu da proclamação do tribunal eleitoral, pedindo a anulação da votação.

Enquanto Sánchez, ex-ministro do comércio exterior, se baseou em uma plataforma de amplas reformas econômicas, Fujimori se beneficiou das preocupações sobre crime e instabilidade política que dominaram a campanha. Ela utilizou a polêmica herança de seu pai, prometendo uma ação militar contra o crime organizado, especialmente em relação a incidentes de extorsão que aumentaram nos últimos anos.

Alberto Fujimori foi condenado por crimes contra a humanidade, incluindo execuções extrajudiciais e esterilizações forçadas durante seu governo autoritário. Keiko também se comprometeu a atrair investimentos privados para promover o crescimento econômico e a expulsar imediatamente imigrantes indocumentados que cometessem crimes no Peru.

Ela já havia concorrido sem sucesso em 2011, 2016 e 2021, perdendo por margens semelhantes em um período de intensa instabilidade política no país. Com sua vitória, Fujimori se tornará a nona presidente do Peru em uma década. Sua cerimônia de posse está prevista para 28 de julho.

Ao assumir o cargo, ela se juntará a uma série de líderes de direita alinhados ideologicamente na América Latina que conquistaram o poder nos últimos anos, frequentemente substituindo governos de esquerda. O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, tomará posse poucos dias depois, após vencer uma eleição igualmente acirrada com a promessa de combater o crime organizado.

Esses novos líderes, como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o presidente do Equador, Daniel Noboa, buscam se alinhar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que demonstrou maior interesse nos assuntos políticos da América Latina em seu segundo mandato. Essa tendência deixa Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, como o principal representante da esquerda na região, enquanto ele enfrenta o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições deste ano.