Haaland é um dos destaques da Copa do Mundo Paulo Henrique Dias/Arquivo Pessoal Enquanto um adulto sedentário consome, em média, entre 2 mil e 2.500 quilocalorias por dia, o norueguês Erling Haaland ingere cerca de 6 mil —quase o triplo. A cifra tem como base alimentos como fígado e coração bovinos e leite cru, somados a uma disciplina rígida de sono, que inclui fita para vedar a boca à noite, óculos que bloqueiam luz azul e um sistema próprio de filtragem de água. Autor de quatro gols nas duas primeiras rodadas do Grupo I da Copa do Mundo, Haaland tornou pública parte dessa rotina no documentário "Haaland: A Grande Decisão", do serviço de streaming norueguês Viaplay.
Nele, o atacante resume sua filosofia: dormir bem e comer com qualidade, priorizando o que considera alimento "local" e evitando ultraprocessados. Mas até que ponto esses hábitos realmente sustentam o desempenho de um dos melhores atacantes do mundo —e o que, dentro deles, não deveria ser copiado por quem não vive da mesma rotina de treinos? O g1 ouviu cinco especialistas —três nutricionistas, um endocrinologista e um cardiologista com formação em medicina do esporte— para separar o que tem base científica do que ainda carece de evidências.
Agora no g1 Por que 6 mil calorias fazem sentido só para ele Para a população em geral, um consumo calórico dessa magnitude tenderia a causar ganho expressivo de gordura corporal. Em um atleta de elite como Haaland, porém, o cenário é outro: o volume e a intensidade dos treinos, a frequência de jogos, a massa muscular elevada e a necessidade de otimizar a recuperação elevam substancialmente o gasto energético diário. Com 1,95 m e pesando entre 88 kg e 94 kg, Haaland tem, segundo estimativas baseadas apenas nesses dados —sem exames mais precisos, como teste ergoespirométrico ou avaliação de composição corporal—, um metabolismo basal que provavelmente gira em torno de 2.200 a 2.500 kcal por dia.
Somando as demandas do treinamento intenso e da recuperação muscular, uma ingestão próxima de 6 mil calorias pode ser necessária em períodos específicos da temporada, mas não se sustenta o ano inteiro: o valor deve variar conforme a carga de treino e os objetivos do atleta em cada fase. Uma alimentação nesse patamar, quando bem calculada, traz benefícios concretos para o corpo do atleta: os músculos armazenam mais energia para os treinos e jogos, a recuperação depois do esforço é mais rápida, a inflamação causada pelo desgaste físico intenso é controlada e o sistema imunológico funciona melhor —o que ajuda a evitar lesões e infecções. Essa quantidade extra de calorias também é o que permite ao atleta manter o peso e a massa muscular.
Sem ela, a queda de desempenho é praticamente inevitável: o corpo passa a "queimar" os próprios músculos como fonte de energia, o que é o oposto do que um jogador de alto rendimento precisa. O atacante Erling Haaland comemora o seu segundo gol marcado na vitória da Noruega contra Senegal por 3 a 2 pela Copa do Mundo, em East Rutherford, em Nova Jersey, no dia 22 de junho de 2026 Frank Franklin II/AP Fígado e coração bovino Os cortes que chamam atenção na dieta do norueguês —fígado e coração bovinos— são verdadeiras bombas de nutrientes: têm proteína de excelente qualidade, ferro de fácil absorção pelo corpo, zinco, selênio e vitaminas do complexo B, com destaque para a B12, importante para a energia e a formação de células do sangue.
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