Lindsey Graham, senador da Carolina do Sul, faleceu aos 71 anos, sendo reconhecido como um sobrevivente político em um período de intensas transformações no Partido Republicano e nos Estados Unidos durante a era de Donald Trump.

Graham iniciou sua carreira no Senado em 2002 e rapidamente se tornou aliado do senador John McCain, conhecido por sua independência política, apesar de ser um conservador rigoroso. Ao longo de 23 anos de mandato, ele se destacou por sua política externa agressiva, defendendo o combate à Rússia e apoiando Israel e a mudança de regime no Irã.

Adaptação às mudanças políticas

Em 2015, durante sua candidatura à presidência, Graham pregou a importância de diminuir as tensões partidárias e colaborar com opositores políticos. Ele chegou a afirmar: “Se eu me tornar presidente, vamos abrir um bar na Casa Branca e resolver os problemas.”

Entretanto, sua relação com Trump começou conturbada. Graham criticou Trump por desmerecer McCain, chamando-o de “jackass” e se opôs a diversas posturas do magnata. Contudo, após a vitória de Trump em 2016, o senador mudou sua postura, tornando-se um defensor fervoroso do ex-presidente e participando ativamente de sua agenda.

Ruptura e reconciliação

A relação entre Graham e Trump sofreu um abalo após a eleição de 2020, quando o senador se distanciou do ex-presidente, especialmente após os eventos de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o Capitólio. Graham declarou que estava encerrando sua ligação com Trump, afirmando: “Contem comigo fora disso, chega.”

Apesar da ruptura, Graham votou para absolver Trump em seu julgamento de impeachment em fevereiro de 2021 e, com a aproximação das eleições presidenciais de 2024, reafirmou seu apoio ao ex-presidente, declarando que “foi um ótimo presidente do meu ponto de vista”.

Graham também se destacou por sua habilidade em manter relações com democratas, o que foi evidenciado pelas mensagens de condolências recebidas, incluindo de críticos de Trump, como Adam Schiff e Elizabeth Warren.

Impacto na política e sucessão

O falecimento de Graham complicará a estratégia legislativa dos republicanos, que agora enfrentam a necessidade de aprovar novas legislações e designar um novo procurador-geral. O governador republicano da Carolina do Sul, Henry McMaster, será responsável por nomear um substituto para o restante do ano, enquanto o partido realizará uma nova primária para escolher um candidato para as eleições gerais de novembro.

A morte de Graham deixa um vácuo significativo, uma vez que ele estava concorrendo a um novo mandato de seis anos e havia recebido a indicação do partido sem oposição. O novo senador não terá a mesma influência e senioridade que Graham acumulou ao longo de sua carreira, em um dos períodos mais turbulentos da política americana contemporânea.