Um grupo de mais de 50 mulheres que alegam ter sido vítimas de abuso sexual ou estupro na França está fazendo um apelo para a abolição do prazo de prescrição, que, segundo elas, impede a busca por justiça em processos criminais. Essa mobilização, que reúne testemunhos de mulheres que sofreram abusos por homens como Jeffrey Epstein e o agente de modelos Jean-Luc Brunel, é a primeira iniciativa coletiva desse tipo no país.

Atualmente, a legislação francesa estabelece um prazo de 20 anos para que adultos possam denunciar casos de abuso sexual ou estupro. Para menores de idade, o prazo é de 30 anos a partir da data do crime. Durante uma coletiva de imprensa, as integrantes do coletivo chamado 'Vozes de Sobreviventes' expressaram que a restrição de tempo faz com que suas experiências pareçam irrelevantes apenas por conta da data em que ocorreram.

“O estupro não expira, o trauma não expira”, afirmou Thysia Husiman, que alega ter sido estuprada aos 18 anos em Paris por Jean-Luc Brunel. Brunel foi encontrado morto em sua cela na prisão de La Santé em 2022, enquanto aguardava julgamento por suspeitas de abuso de menores.

A ex-produtora da BBC, Lisa Brinkworth, que alega ter sido sexualmente assediada enquanto trabalhava em um documentário sobre abusos na indústria da moda, decidiu levar seu caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Seu processo contra o chefe da Elite Model Management, Gérald Marie, foi arquivado devido ao prazo de prescrição de 20 anos já ter expirado.

Brinkworth relatou que, na época, foi desencorajada a denunciar o assédio por membros da equipe da BBC, que temiam que a situação pudesse prejudicar a produção. A BBC declarou que leva a sério as alegações e está disposta a colaborar com as autoridades, mas Brinkworth afirma que ainda não recebeu evidências cruciais que poderiam ajudar no seu caso.